O detento Adélio Bispo de Oliveira, de 47 anos, autor da facada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha de 2018, será submetido a um novo exame psiquiátrico nos próximos dias. A avaliação servirá para determinar se ele permanece sob medida de segurança ou se há possibilidade de libertação.
A perícia, que será conduzida por dois psicólogos sob supervisão judicial, pretende responder a três quesitos formulados pela Justiça.
As perguntas abordam se Adélio ainda apresenta transtornos mentais que justifiquem sua internação, se representa risco para si ou para terceiros, e, caso o problema persista, em quanto tempo deverá ser reavaliado. O laudo final será determinante para o futuro do interno.
Atualmente, Adélio está detido no Presídio Federal de Campo Grande (MS), onde deve permanecer até 2038, quando completará 60 anos, conforme prevê decisão judicial.
Apesar disso, agentes ouvidos pelo portal Metrópoles consideram remota a chance de soltura, apontando que a tendência do Judiciário é preservar a ordem pública. Há, no entanto, a possibilidade de uma transferência para um hospital de custódia.
Relatórios sigilosos encaminhados aos peritos indicam que o estado de saúde mental de Adélio se deteriorou ao longo do período de encarceramento. A Polícia Federal concluiu que ele agiu sozinho no atentado contra Bolsonaro.
Isolado em uma cela de cerca de seis metros quadrados, o preso não recebe visitas familiares há mais de um ano. Segundo relatos, ele não lê livros e tem dificuldade para se comunicar com outros detentos da penitenciária de segurança máxima.
Embora classificado como preso de alta periculosidade, não há previsão de que Adélio seja transferido para outra unidade do sistema federal. A penitenciária de Campo Grande é considerada a mais preparada para lidar com internos com distúrbios psiquiátricos, ainda que não possua estrutura totalmente adequada para esse tipo de tratamento.
O prontuário médico de Adélio permanece sob sigilo judicial. Durante o governo Bolsonaro, a Polícia Federal chegou a solicitar acesso aos documentos, em meio ao processo eleitoral, mas o pedido foi negado pela Justiça. (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)

