Uma família de Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, tornou-se a principal acionista do Grupo Pão de Açúcar (GPA), uma das maiores companhias de varejo do Brasil.
Os Coelho Diniz chegaram a 24,6% de participação e superaram o grupo francês Casino, que detém 22,5%. A movimentação aumenta a influência da família sobre os rumos da empresa, que fechou 2023 com perdas de R$ 737 milhões.
Discretos e pouco presentes na mídia, os irmãos construíram uma rede de 22 supermercados no leste mineiro, expandindo suas operações também para logística, agronegócio, importação e distribuição.
Segundo comunicado, a fatia conquistada pelos mineiros, embora não represente controle total, garante aos Coelho Diniz “o poder de influenciar muito claramente os rumos do GPA”. A ascensão do grupo familiar, que cresceu “pelas beiradas”, reforça o potencial de se tornar um dos nomes mais fortes do varejo nacional.
A trajetória no comércio começou nos anos 1960, quando Hercílio Araújo Diniz e a esposa Luzia Coelho Diniz abriram o Armazém Diniz em Governador Valadares. Nos anos 1970, o filho mais velho, Hercílio Araújo Diniz Filho — que mais tarde adotaria o nome de Hercílio Coelho Diniz — passou a ajudar o pai. Em 1988, assumiu o comando do negócio e intensificou as aquisições.
Com a expansão, a família decidiu em 1992 separar o atacado do varejo. Hercílio, os seis irmãos e um tio fundaram o primeiro Supermercado Coelho Diniz em 22 de maio daquele ano.
Hoje, a rede está presente em sete cidades da região e, segundo estimativas de mercado, teria um faturamento próximo de R$ 3 bilhões, número que nunca foi confirmado oficialmente.
De acordo com a Economática, a fatia de 24,6% no GPA está avaliada em R$ 389 milhões. A família afirma que todo o investimento partiu de recursos próprios.
O nome de Hercílio Coelho Diniz também ganhou força na política: ele é deputado federal pelo MDB de Minas Gerais, eleito em 2018 e reeleito em 2022.
O envolvimento político, no entanto, levou ao seu afastamento do quadro societário da rede de supermercados. Em 2023, áudios atribuídos ao parlamentar, com acusações de corrupção na prefeitura de Governador Valadares, foram vazados. (Foto: divulgação; Fonte: Estadão)

