A Polícia Federal teria procurado informações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro durante uma operação de busca e apreensão realizada no escritório do advogado Willer Tomaz, apesar de o parlamentar não ser investigado no caso. Segundo reportagem do portal Cláudio Dantas, o relato consta de uma manifestação feita por um dos advogados que acompanhou a diligência, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação envolvendo Tomaz teve origem no inquérito que apura fatos relacionados ao senador Weverton Rocha, do Maranhão. Tomaz e Weverton são amigos de longa data e também mantêm sociedade. Segundo o relato apresentado à Justiça, Flávio Bolsonaro não teria qualquer ligação com a investigação.
Ainda assim, de acordo com o advogado Michael Cunha ao portal, integrantes da equipe policial demonstraram interesse em documentos relacionados ao senador.
Segundo ele, “a autoridade policial estava visivelmente focada na busca de imóveis e de comprovantes de pagamento a pessoas aleatórias, tendo por diversas vezes, sido pronunciado entre os integrantes da equipe o nome de ‘Flávio’, assim como a denominação ’01′”.
Ainda de acordo com a reportagem, o nome de uma ilha localizada em Angra dos Reis (RJ) teria sido citado repetidamente. O imóvel é alvo de uma disputa judicial entre Willer Tomaz e o jogador Richarlison, que incluiu Flávio Bolsonaro como testemunha no processo.
Durante a busca, os agentes recolheram pastas contendo escrituras, anotações, notas fiscais e comprovantes de transferências via Pix. Segundo o advogado, parte desse material não teria relação com os fatos investigados.
Outro episódio relatado por Cunha ocorreu por volta das 8h, quando o site Metrópoles publicou fotografias do interior do escritório de Willer Tomaz enquanto a operação ainda estava em andamento.
O advogado questionou Gherardi sobre a origem das imagens. Segundo o relato, o delegado admitiu ter compartilhado as fotografias com a coordenação da operação, mas não informou quem seria o responsável por essa coordenação. Gherardi teria afirmado ainda que, caso as imagens tivessem chegado à imprensa, “tal fato não decorreu de sua conduta pessoal”.
A divulgação das fotografias é apontada como especialmente relevante porque a decisão de Mendonça que autorizou as buscas teria proibido expressamente o registro de imagens do interior do escritório. A determinação também restringia a apreensão de documentos protegidos por sigilo profissional ou relacionados a pessoas que não fossem alvo da investigação.
Pela decisão, o material recolhido durante a operação deveria passar por uma triagem prévia no gabinete de Mendonça antes de ser utilizado na investigação.
Segundo Cunha, apesar das restrições estabelecidas pelo ministro, o delegado responsável pela diligência teria insistido em recolher documentos que, na avaliação da defesa, não apresentavam relação com o objeto da investigação.
O advogado afirma que precisou questionar a equipe e exigir que os itens fossem registrados no auto de apreensão. Diante da contestação, Gherardi teria desistido de levar algumas das pastas.
Mesmo assim, conforme a reportagem, o delegado teria fotografado todo o material. Cunha afirma ter percebido que as imagens eram encaminhadas a uma pessoa identificada pelo policial apenas como “coordenador” da operação.
O episódio agora é apresentado pela defesa como mais um questionamento sobre a atuação dos agentes que participaram da diligência, realizada antes do afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal por determinação de Mendonça. E mais: AGU pede para Fachin anular afastamento do diretor da PF: ‘lesão à ordem pública. Clique AQUI para ver. (Foto: PF; Fonte: Cláudio Dantas)
