O Brasil está entre as economias com maior nível de endividamento público do mundo, segundo uma análise elaborada pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF) com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). O levantamento aponta que três países da América Latina — Bolívia, Brasil e Suriname — estão entre os 30 com maior dívida pública em relação ao tamanho de suas economias.
O cenário, porém, não é uniforme na região. De acordo com o estudo, a distância entre os países latino-americanos em relação à situação fiscal vem aumentando. Em 2019, a diferença entre a economia mais endividada e a menos endividada era de 63 pontos percentuais do PIB. Para 2026, a projeção é de que essa distância chegue a 73 pontos.
No ranking global, o Japão aparece na primeira colocação, com uma dívida equivalente a 204,4% do PIB. Em seguida estão Cingapura, com 171,9%; Sudão, com 169,1%; Bahrein, com 152,4%; Itália, com 138,4%; Grécia, com 136,9%; Senegal, com 132,3%; Maldivas, com 129,4%; Estados Unidos, com 125,8%; e Ucrânia, com 122,6%.
Na América Latina, a situação mais preocupante é atribuída à Bolívia. A dívida pública do país alcança 102% do PIB, segundo o IIF, enquanto a parcela denominada em moeda estrangeira representa 41,1%. Além do elevado endividamento, o país enfrenta escassez de dólares, reservas internacionais reduzidas e déficits fiscais elevados.
O caso brasileiro apresenta características diferentes. A dívida pública corresponde a 96,5% do PIB e alcança cerca de US$ 2,1 trilhões, segundo dados do Banco Central compilados pelo IIF. Apesar do volume elevado, a estrutura da dívida é apontada como um fator de proteção diante de possíveis choques externos.
Cerca de 95% dos títulos da dívida brasileira são denominados em reais e estão nas mãos de investidores locais. A dívida externa, por sua vez, representa aproximadamente 4,5% do total. O país também possui um mercado financeiro considerado robusto e reservas internacionais significativas.
Isso faz com que o principal risco brasileiro seja avaliado como uma questão de médio prazo, especialmente relacionada à trajetória fiscal e ao custo de financiamento da dívida, e não necessariamente a uma dificuldade imediata para honrar compromissos externos.
O Suriname também aparece em situação delicada. A dívida pública do país saltou de 84% do PIB em 2019 para 146,4% em 2020 e permanece entre as mais elevadas da região. Segundo a análise, sua capacidade de absorver novos choques econômicos é limitada.
O México, por outro lado, apresenta uma situação relativamente mais confortável entre as grandes economias latino-americanas. A dívida pública está estimada em 62,7% do PIB em 2026. Mesmo assim, o custo de carregamento desse endividamento aumentou. As despesas com juros passaram de 4,41% do PIB em 2019 para uma projeção de 5,98% neste ano.
A Argentina também apresenta uma trajetória fiscal diferente. A dívida pública deve equivaler a 70,4% do PIB em 2026, enquanto o país registra superávit primário estimado em 1,9% do PIB. O governo argentino conseguiu melhorar rapidamente as contas públicas e recompor parte das reservas, mas ainda depende do programa de financiamento com o FMI.
Além do tamanho da dívida, o IIF destaca que a vulnerabilidade de cada país depende de uma combinação de fatores. Entre eles estão o peso dos juros em relação ao crescimento econômico, o resultado fiscal primário, a moeda em que os títulos são emitidos, o perfil dos credores e dos vencimentos, o volume de reservas internacionais, o acesso a novas fontes de financiamento e a confiança dos investidores na política econômica.
Nesse contexto, o nível de endividamento, isoladamente, não determina a situação fiscal de uma economia. A composição da dívida e a capacidade do governo de financiá-la ao longo do tempo podem ser tão importantes quanto o percentual registrado em relação ao PIB. E mais: Urgente: Governo Lula deve suspender lives de rede sociais após pedido de Janja. Clique AQUI para ver. (Foto: IA; Fonte: Bloomber Linea)

