Agora: Lula afasta da campanha um de seus ministros mais próximos; Saiba detalhes

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O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, não deverá participar diretamente da rotina da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Apesar de ter sido um dos principais responsáveis pela comunicação que ajudou a eleger o petista em 2022, Sidônio permanecerá formalmente no governo e continuará trabalhando no Palácio do Planalto.

A decisão ocorre após meses de desgaste na relação entre o ministro e Lula, egundo reportagem de O Globo. Pessoas próximas ao presidente afirmam que o petista demonstrou insatisfação em reuniões internas com algumas escolhas da comunicação do governo e decidiu manter Sidônio fora do núcleo responsável pelo cotidiano da campanha.

Apesar do afastamento das atividades diárias da candidatura, aliados avaliam que o ministro continuará sendo ouvido em questões estratégicas. O próprio Sidônio admite, em conversas reservadas, que poderá dar opiniões sobre os rumos da campanha, embora reconheça que a condução caberá a Raul Rabelo, seu sócio e responsável pelo marketing eleitoral.

“Estou aqui para ajudar o presidente e enfrentar a extrema-direita”, afirmou Sidônio ao GLOBO.

O ministro pretendia deixar temporariamente a Secom para assumir integralmente a comunicação da campanha a partir de agosto. Lula, porém, rejeitou a possibilidade e optou por mantê-lo no governo. Pessoas próximas a Sidônio dizem que a decisão provocou incômodo, embora o ministro negue qualquer desentendimento com o presidente.

A campanha petista chega à eleição em meio a disputas entre diferentes grupos que atuam na comunicação de Lula. De um lado está Raul Rabelo, sócio de Sidônio e escolhido para comandar o marketing eleitoral. Do outro, estão a jornalista Nicole Briones e o fotógrafo Ricardo Stuckert, responsáveis pela gestão das redes sociais do presidente e integrantes de seu círculo de confiança há vários anos.

Nicole é mulher de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou recentemente a coordenação da campanha. A saída ocorreu depois de vir à tona que ele havia recebido dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Pessoas próximas ao ex-chefe de gabinete interpretaram a divulgação do episódio como resultado de uma disputa interna.

O ambiente de tensão se soma a outros episódios envolvendo Sidônio e integrantes do governo.

Um deles ocorreu semanas atrás, quando o ministro e Marcola tiveram uma discussão diante de Lula. Segundo o Globo, o petista havia demonstrado insatisfação com o tom considerado excessivamente leve de uma peça publicitária produzida pela Secom. Sidônio discordou da avaliação, enquanto Marcola apoiou o posicionamento de Lula, provocando um desentendimento entre os dois.

O episódio foi inicialmente divulgado pela Folha de S.Paulo e pelo GLOBO. Sidônio, porém, nega que tenha ocorrido um bate-boca e afirma que houve apenas divergências de opinião.

Outro momento de atrito aconteceu em abril, quando Lula questionou o ministro após receber uma análise sobre as redes sociais do governo. O relatório apontava que o perfil oficial da Casa Branca dava mais espaço à imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do que o governo brasileiro reservava à imagem de Lula.

Segundo relatos, o presidente também perguntou por que o perfil @govbr no Instagram publicava tantos conteúdos com animais, como gatos e capivaras, em vez de destacar sua própria imagem. Sidônio respondeu que a legislação brasileira impõe restrições maiores à promoção pessoal de autoridades públicas.

Além das diferenças pessoais, os grupos que atuam na comunicação do governo apresentam estratégias distintas. Sidônio costuma defender uma comunicação considerada mais leve e festiva por seus críticos. Nicole Briones e Ricardo Stuckert, por outro lado, são associados a uma abordagem mais política e combativa, com maior ênfase em temas econômicos e questões diretamente relacionadas ao cotidiano dos eleitores.

No início do ano, Sidônio chegou a defender que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) fosse considerado uma alternativa para representar Lula na disputa pelo governo de Minas Gerais. A possibilidade foi rejeitada por lideranças petistas devido à oposição do parlamentar ao PT e à sua proximidade política com o bolsonarismo.

O ministro também enfrentou resistência após sugerir a criação de uma secretaria vinculada à Casa Civil para tratar de segurança pública. A proposta foi apresentada a Lula depois que o tema ganhou força entre os eleitores em razão da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, realizada em outubro de 2025, que deixou 122 mortos.

A proposta acabou contribuindo para o desgaste que antecedeu a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, em janeiro deste ano.

Com Sidônio fora da operação cotidiana, Raul Rabelo deverá concentrar o comando do marketing eleitoral. Ele já havia participado da campanha presidencial de Fernando Haddad em 2018, ao lado de Otávio Antunes.

Também integram a equipe Chico Kertész, outro sócio de Sidônio, e Tiago Cesar dos Santos, que ocupou o cargo de número 2 da Secom.

Segundo aliados, Lula deixou claro que não pretende aceitar uma estrutura com dois centros de comando. O presidente teria orientado que Rabelo não dependa de Sidônio para tomar decisões e afirmou que cada integrante deverá responder pelas próprias atribuições.

A orientação também serviria para estabelecer com clareza quem será responsável por decisões, cobranças e eventuais mudanças na equipe ao longo da campanha. E mais: Campanha de Flávio define slogan e estratégia de campanha. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: O Globo)

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