Qual é e quanto fatura a empresa que fabrica o vidro do iPhone

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Poucas companhias conseguiram transformar tantos aspectos da rotina moderna quanto a Corning. Ao longo de quase dois séculos, a empresa americana esteve por trás de algumas das tecnologias mais marcantes da história recente, do vidro utilizado na lâmpada de Thomas Edison até os componentes fundamentais para a expansão da inteligência artificial.

Criada no estado de Nova York, nos Estados Unidos, em 1851, a fabricante de materiais especiais construiu uma trajetória baseada no desenvolvimento de soluções a partir do vidro. Atualmente, a empresa atua em mais de 30 países, incluindo o Brasil, e possui negócios ligados a telecomunicações, eletrônicos, telas, indústria automotiva e ciências da vida.

O portfólio da companhia reúne produtos que ajudaram a moldar diferentes eras tecnológicas. A Corning participou da criação do vidro de proteção da primeira lâmpada comercial de Edison, desenvolveu o resistente Pyrex, fabricou tubos de imagem usados nas antigas televisões e criou uma das tecnologias mais importantes para a internet moderna: a fibra óptica. Também está presente no iPhone.

Agora, a empresa quer repetir esse protagonismo em uma nova transformação tecnológica. A aposta da vez está na infraestrutura necessária para o avanço da inteligência artificial, especialmente no fornecimento de materiais e componentes para data centers.

Com faturamento global de US$ 15,6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 77 bilhões, segundo o balanço mais recente divulgado pela companhia, a Corning chega a 2026 celebrando 175 anos de existência. No Brasil, a operação é menor e voltada principalmente para atividades comerciais, com aproximadamente 75 funcionários nas áreas de vendas, logística e relacionamento com clientes.

A companhia não mantém fábricas próprias no país. A produção destinada ao mercado brasileiro ocorre principalmente em outras unidades da América Latina, com destaque para o México, que abriga a maior força de trabalho da empresa no mundo, com mais de 25 mil funcionários.

Mesmo com uma estrutura reduzida, o Brasil é considerado um mercado estratégico pela Corning. A empresa afirma que pretende ampliar sua presença no país em três áreas consideradas prioritárias: telecomunicações e data centers, catalisadores para veículos e soluções voltadas às ciências da vida.

No segmento de data centers, a expansão brasileira chama atenção. Segundo a companhia, o negócio cresceu dez vezes em apenas dois anos, e a expectativa é que a operação local dobre de tamanho impulsionada pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

O movimento acompanha uma estratégia global da empresa. Em maio de 2026, a Corning anunciou uma parceria com a NVIDIA, que prevê um investimento inicial de US$ 500 milhões da fabricante de chips, além da possibilidade de aportes adicionais de até US$ 3,2 bilhões por meio de warrants, instrumentos financeiros que permitem a compra futura de ações.

A trajetória da Corning começou de forma bem diferente do mercado atual. Em seus primeiros anos, a empresa produzia vidros voltados principalmente para construção civil. O primeiro grande salto veio em 1879, quando criou o revestimento de vidro responsável por proteger o filamento das lâmpadas incandescentes desenvolvidas por Thomas Edison.

Décadas depois, em 1915, a companhia lançou o Pyrex, uma linha de produtos resistentes ao calor que se tornou conhecida mundialmente. Em 1947, entrou no mercado de televisores ao iniciar a fabricação em larga escala de tubos de imagem.

Mas foi em 1970 que a Corning deu um dos passos mais importantes de sua história. Após uma encomenda dos Correios britânicos, três pesquisadores da empresa — Robert Maurer, Donald Keck e Peter Schultz — desenvolveram a primeira fibra óptica de baixa perda, capaz de transmitir dados por longas distâncias com pouca degradação do sinal.

Na época, o mercado de comunicações ópticas praticamente não existia. A empresa precisou apostar em uma tecnologia incerta e ajudou a criar uma nova indústria, que mais tarde se tornaria essencial para a internet global.

Outro momento decisivo ocorreu em 2007, quando Steve Jobs procurou a Corning em busca de um material mais resistente para a tela do primeiro iPhone. O resultado foi o Gorilla Glass, um vidro reforçado quimicamente que se tornou referência em smartphones e dispositivos eletrônicos.

Desde então, a tecnologia acumulou mais de US$ 20 bilhões em receitas e passou a equipar mais de 8 bilhões de aparelhos ao redor do mundo. Agora, a Corning tenta escrever um novo capítulo de sua história, fornecendo a base física para a próxima grande onda tecnológica: a inteligência artificial. E mais: PL mostra resultado da educação do PT após 20 anos. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: Exame)

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