Quem são os empresários brasileiros que compraram petroleira na Venezuela

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A ‘Fluxus Oil, Gas & Energy’, empresa controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, comprou uma participação em um projeto de exploração de petróleo na Venezuela, em um movimento que ocorre durante a reabertura gradual do setor energético do país após anos de sanções internacionais.

A companhia adquiriu a ‘A&B Oil and Gas’, empresa que possui 49% da joint venture Petrolera Roraima, conhecida como Petrororaima, formada em parceria com a estatal venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA). As informações foram divulgadas por pessoas próximas à negociação, que pediram anonimato, conforme reportagem do jornal O Globo. Os valores da transação não foram revelados.

O negócio representa mais um investimento estrangeiro recente no setor petrolífero venezuelano. Segundo fontes familiarizadas com o mercado, outras operações envolvendo empresas independentes podem ser anunciadas antes do prazo regulatório de 28 de julho.

A movimentação ocorre em meio ao processo de flexibilização de restrições liderado pelos Estados Unidos, que busca estimular investimentos no país após anos de bloqueios econômicos. Entre as empresas que passaram a avaliar oportunidades na Venezuela estão Lionheart Capital, Pacific Coast Energy e a própria Fluxus.

A família Batista, dona do grupo J&F, ampliou sua atuação nos últimos anos para além do setor de carnes, com investimentos em áreas como celulose, energia e serviços financeiros. O grupo também fortaleceu relações políticas internacionais. Joesley Batista se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e teria tentado negociar uma saída de Nicolás Maduro do poder antes da captura do líder venezuelano por forças americanas.

A subsidiária americana da JBS, Pilgrim’s Pride, também teve papel de destaque no cenário político dos Estados Unidos ao figurar como a maior doadora do comitê de posse de Trump.

O projeto adquirido pela Fluxus está localizado no Cinturão de Óleo Pesado do Orinoco, uma das principais regiões produtoras da Venezuela. A área foi anteriormente operada pela americana ConocoPhillips, que perdeu seus ativos no país após uma decisão do governo venezuelano em 2007.

Com a entrada da Fluxus na operação, os sócios pretendem ampliar a produção da Petrorora para 120 mil barris de petróleo por dia nos próximos cinco anos. Atualmente, a produção estaria em cerca de um quarto desse volume.

Segundo as fontes, a operação segue as autorizações concedidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A PDVSA e a J&F, holding que controla os negócios da família Batista, não comentaram imediatamente a transação.

O grupo brasileiro também mantém interesse em novas aquisições nos setores de petróleo, mineração, energia e infraestrutura na Venezuela. As fontes afirmam que a estratégia de expansão continua mesmo após os terremotos registrados recentemente na região central do país.

A relação dos Batista com a Venezuela já dura mais de uma década. A JBS chegou a firmar um contrato de US$ 2,1 bilhões com o governo venezuelano para fornecer carne bovina e frango durante um período marcado por escassez de alimentos e inflação elevada.

A entrada da Fluxus no mercado venezuelano coloca a empresa em um país que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. A produção venezuelana, que chegou a superar 3 milhões de barris diários nos anos 1990, caiu significativamente nas décadas seguintes devido à crise econômica, problemas de gestão, interferência política e sanções internacionais. Atualmente, a produção gira em torno de 1,2 milhão de barris por dia. (Foto: PixaBay; Fonte: O Globo)

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