Uma articulação envolvendo o Palácio do Planalto, o governo Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) busca conter os efeitos da crise provocada pelas suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A reportagem é do jornal digital Poder360.
A estratégia, segundo a reportagem, seria evitar que Moraes se torne alvo de uma investigação capaz de comprometer sua posição dentro da Corte.
Entre os ministros que estariam alinhados nessa movimentação estão Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além do próprio Moraes. O objetivo seria impedir que o episódio provoque uma mudança na atual correlação de forças do Supremo.
De acordo com o Poder360, a situação ganhou novo peso depois que o ministro André Mendonça tornou públicos, em 1º de setembro, elementos da investigação sobre o Banco Master. Entre os documentos estão 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao celular de Moraes, encontradas no bloco de notas do aparelho do empresário. As respostas atribuídas ao ministro, entretanto, não aparecem no material divulgado.
O conteúdo entra em choque com uma manifestação anterior do próprio Moraes. Em 6 de março de 2026, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou uma nota na qual o ministro negava ter recebido mensagens do fundador do Banco Master.
Caso as investigações confirmem que Moraes efetivamente recebeu as mensagens, a divergência entre a declaração pública e os elementos reunidos pela investigação poderá aumentar a pressão sobre o magistrado.
Outro ponto de tensão é a possibilidade de surgirem elementos que indiquem que Moraes tenha atuado em benefício de Vorcaro. Se isso for comprovado, a situação poderá deixar o campo político e institucional e resultar em consequências de natureza criminal.
A condução da crise também passou a envolver o presidente do STF, Edson Fachin. Caso ele autorize uma investigação sobre Moraes, a abertura da apuração poderá ampliar significativamente o desgaste do ministro e criar uma situação sem precedentes para a atual composição da Corte.
Fachin afirmou, em discurso realizado no Palácio do Planalto em 4 de setembro, que daria uma resposta “firme” à situação envolvendo Moraes. A declaração ocorreu em meio à crescente pressão sobre o Supremo.
Na prática, porém, o cronograma adotado pelo presidente da Corte postergou as decisões. No procedimento relacionado às suspeitas contra Moraes, ele, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, têm até 11 de setembro para apresentar suas manifestações. Qualquer decisão sobre o caso só poderá ocorrer posteriormente.
Paralelamente, existe outro conflito envolvendo os dois ministros. Em 3 de setembro, Moraes determinou a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, investigação que tramita há sete anos. No dia seguinte, Fachin retirou temporariamente Mendonça do procedimento e determinou que a questão sobre sua inclusão seja analisada posteriormente.
Nesse segundo caso, a PGR dispõe de cinco dias úteis, contados a partir de 4 de setembro, para se manifestar. Depois disso, Mendonça terá novo prazo de cinco dias para apresentar sua posição.
O calendário dos dois procedimentos pode fazer com que uma eventual análise conjunta pelo plenário do STF ocorra apenas depois de 22 de setembro. Se isso acontecer, a discussão será realizada a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
A proximidade do pleito pode se transformar em mais um fator de pressão sobre a Corte. Uma das possibilidades aventadas é que a análise dos casos seja postergada para depois do primeiro turno ou até mesmo para depois do segundo turno, previsto para 25 de outubro. (Foto: EBC; Fonte: Poder360)

