A crise interna no PL envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro ganhou novos desdobramentos após uma reunião considerada tensa entre a ex-primeira-dama e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Segundo informações divulgadas pela coluna da jornalista Malu Gaspar, o encontro teria ampliado o desgaste político entre os envolvidos.
De acordo com pessoas ouvidas pela coluna e próximas tanto de Michelle quanto de Flávio, Valdemar teria sugerido que a ex-primeira-dama assinasse uma carta pública afirmando estar ‘emocionalmente abalada’ pelos problemas familiares relacionados à prisão de Jair Bolsonaro e apresentasse um pedido de desculpas após a divulgação de um vídeo com críticas ao senador e a setores do bolsonarismo.
A proposta, segundo os relatos, teria provocado forte irritação em Michelle. Ela, que já vinha demonstrando insatisfação com críticas recebidas nas redes sociais por eleitores de Flávio e também do deputado Eduardo Bolsonaro, teria reagido negativamente à sugestão e chegou a cogitar deixar o partido.
Após a reunião, Michelle anunciou sua saída do comando do PL Mulher. No comunicado divulgado nas redes sociais, porém, ela não fez referência direta a Flávio Bolsonaro nem apresentou qualquer pedido de desculpas.
Sem entrar em detalhes sobre a crise, Michelle mencionou “o momento em que estamos vivendo em nossa família” para justificar a decisão. Segundo a ex-primeira-dama, a medida teria sido tomada em conjunto com Jair Bolsonaro para permitir dedicação integral aos cuidados com o ex-presidente e com a filha do casal, Laura.
Na publicação, Michelle também fez um balanço de sua atuação à frente do PL Mulher e agradeceu a Valdemar Costa Neto pela confiança e autonomia concedidas desde sua nomeação ao cargo, em março de 2023.
A nota ainda incluiu uma menção à vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), nome que passou a ocupar espaço nas discussões internas após divergências envolvendo apoios políticos no Ceará.
Em comunicado próprio, Valdemar afirmou que Michelle atravessa “um momento difícil”, reconheceu a existência de “divergências” e “indignações” dentro do partido, mas defendeu respeito à decisão tomada pela ex-primeira-dama.
Ainda segundo a publicação, Michelle foi convencida a não deixar o PL durante o período mais intenso da crise por aliadas próximas, entre elas a senadora Damares Alves e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão.
No encontro com Valdemar, Michelle também teria indicado a possibilidade de desistir de uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. No entanto, pessoas próximas à ex-primeira-dama avaliam que esse cenário não deve avançar.
Nos bastidores, a avaliação é que, mesmo permanecendo no partido, Michelle poderá reduzir sua participação na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, aprofundando um desgaste interno que passou a expor publicamente divisões dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. (Foto: reprodução; Fonte: O Globo)

