A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou uma série de vídeos nas redes sociais em que afirma ter sido ‘maltratada’ e ‘humilhada’ pelo senador Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Bolsonaro como nome apoiado dentro do grupo político para futuras disputas eleitorais.
Nas declarações, Michelle afirma que não mantém diálogo com o enteado desde o fim de 2025 e relata que a discussão teria sido motivada por divergências internas sobre articulações políticas do Partido Liberal (PL), especialmente no estado do Ceará.
Segundo ela, o desentendimento começou após discordâncias envolvendo a formação de alianças regionais e a estratégia eleitoral do partido. Michelle criticou aproximações políticas locais e afirmou que tais decisões deveriam ser discutidas com mais cautela dentro do grupo.
“Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou a ex-primeira-dama.
Ela também declarou ter sido desautorizada a participar de decisões partidárias. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, disse.
Michelle ainda afirmou que, após o episódio, optou por se afastar das discussões internas. “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi.”
Ao longo dos vídeos, a ex-primeira-dama menciona também outros familiares e aliados políticos, afirmando que teria havido reações coordenadas a seu posicionamento público em relação às disputas regionais do PL.
Outro ponto de tensão citado por Michelle envolve a disputa por uma vaga ao Senado no Ceará, além de divergências sobre alianças políticas locais, incluindo articulações com o ex-governador Ciro Gomes.
Em meio às críticas, ela afirma que não condicionou apoio político a pedidos de desculpas. “Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, disse.
A ex-primeira-dama também relatou sofrer ataques políticos e mencionou preocupação com o impacto das disputas sobre sua família. Em outro trecho, afirmou que a filha adolescente acompanha o cenário político e se sente afetada pelas discussões públicas.
Aliados do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro têm defendido maior engajamento de Michelle na pré-campanha do senador, enquanto ela nega resistência a articulações eleitorais, mas diz ser contrária a algumas alianças específicas no primeiro turno.
“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno”, afirmou.
Após a repercussão dos vídeos, Flávio Bolsonaro divulgou um pedido de desculpas e afirmou não ter tido a intenção de ofender a ex-primeira-dama, em tentativa de reduzir o impacto público da crise interna no grupo político.
➡️ Veja a íntegra do pronunciamento de Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama diz ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio Bolsonaro em uma ligação por conta do apoio do PL no Ceará. Além disso, ela afirmou que foi alvo de críticas e humilhações após a transferência de… pic.twitter.com/Dth4H5u25j
— Metrópoles (@Metropoles) June 24, 2026
