A publicação do novo Código de Ética e de Conduta dos Nutricionistas tem provocado debates dentro da categoria. O documento, elaborado pelo Conselho Federal de Nutrição, atualiza as normas que orientam o exercício da profissão e amplia restrições relacionadas à divulgação de resultados de pacientes nas redes sociais.
Entre os pontos que mais geraram reação está o endurecimento das regras sobre publicações do tipo “antes e depois”, frequentemente utilizadas para mostrar processos de emagrecimento, mudanças corporais ou evolução de indicadores de saúde. Além das fotografias, a nova norma passa a abranger dados sobre composição corporal, exames laboratoriais, laudos médicos, gráficos e até imagens produzidas por inteligência artificial.
Os nutricionistas avaliam que as novas diretrizes limitam a atuação dos profissionais nas plataformas digitais e dificultar o enfrentamento à disseminação de informações incorretas sobre alimentação e saúde.
Por outro lado, o CFN sustenta que as mudanças foram construídas ao longo de ‘anos de discussão’ e têm como principal objetivo proteger a população. A entidade também ressalta que a versão anterior do código, em vigor desde 2018, já estabelecia restrições à divulgação de resultados, embora em formato menos abrangente.
Diante da repercussão, o conselho decidiu adiar o lançamento oficial do documento, que ocorreria durante o Congresso Brasileiro de Nutrição, e abriu um canal para receber sugestões e manifestações dos profissionais por meio da campanha “Nutricionista, queremos te ouvir”, disponível até o próximo dia 13.
Apesar das críticas, a resolução continua válida e deverá entrar em vigor no final de julho, 90 dias após sua publicação. A presidente do CFN, Manuela Dolinsky, afirmou que o objetivo da consulta é avaliar possíveis ajustes, mas descartou a possibilidade de abandono completo do texto.
“Queremos ouvir para agir, mas ainda precisaremos fazer uma avaliação do que for colocado. Vamos manter o código, alterar alguns artigos ou suspendê-lo. Mas essa última opção acredito ser impossível. Foram anos de construção dentro de um longo processo. Não podemos pautar a ação a partir da discussão inflamada da internet.”
Outro ponto que tem sido alvo de questionamentos é o fato de a proibição valer mesmo quando o paciente autoriza a divulgação das informações. A restrição também alcança imagens e dados relacionados ao próprio nutricionista. As exceções ficam limitadas a ambientes técnico-científicos, como congressos, aulas, cursos e publicações acadêmicas.
Profissionais contrários à medida argumentam que é possível compartilhar resultados de forma responsável, sem promessas de sucesso garantido ou apelos sensacionalistas, destacando que cada paciente apresenta características e evoluções diferentes ao longo do tratamento. E mais: Adrilles Jorge quer fim da cobrança de carteira estudantil em São Paulo. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: O Globo)

