A empresária Roberta Luchsinger confirmou ter sido responsável por apresentar Fábio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao empresário Antônio Camilo, apelidado de “Careca do INSS” e investigado no escândalo dos descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Em entrevista à jornalista Eliane Trindade, da Folha de S.Paulo, Luchsinger afirmou que o encontro entre os dois ocorreu em um contexto social e rejeitou a hipótese de que tenha atuado para aproximá-los com interesses comerciais.
Luchsinger declarou que a apresentação foi um gesto de “boa educação” e negou ter intermediado negócios entre eles “Jamais apresentei os dois com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”, declarou a empresária.
Ela também afirmou que, à época da apresentação, Camilo não era alvo de suspeitas públicas. “Ele virou o Careca do INSS depois da CPMI, quando colocaram esse apelido. Até então era uma figura ilesa”, disse.
O nome de Lulinha passou a aparecer nas investigações da Operação Sem Desconto após serem reveladas informações sobre sua relação com Camilo. As apurações buscam esclarecer o grau de proximidade entre o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o empresário, que está preso desde setembro de 2025.
Durante a entrevista, Luchsinger também confirmou ter mantido uma relação profissional com Camilo. Segundo ela, foi firmado um contrato de consultoria que previa pagamentos mensais de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão ao longo de cinco meses.
De acordo com a empresária, o trabalho estava relacionado ao setor de cannabis medicinal e à discussão sobre normas regulatórias envolvendo produtos à base de canabidiol.
“Quando meus advogados levantaram os antecedentes do Antônio e da empresa dele para assinarmos o contrato, não havia um único processo”, afirmou.
Ela explicou que a consultoria consistia em análises técnicas e regulatórias voltadas à atualização de regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o segmento.
Luchsinger também rejeitou suspeitas de que o contrato pudesse ter servido para transferir recursos a Lulinha ou facilitar contatos com integrantes do governo federal. Segundo ela, a atuação de sua empresa teve caráter exclusivamente técnico e jurídico.
Outro ponto abordado pela empresária foi a viagem realizada à Finlândia em janeiro de 2025, da qual participaram Lulinha e familiares. O episódio também chamou a atenção dos investigadores.
Segundo Luchsinger, documentos entregues à Polícia Federal demonstrariam que todos os participantes dividiram os custos do passeio. Ela negou que terceiros tenham financiado a viagem ou custeado despesas do grupo.
A empresária foi alvo de mandados de busca e apreensão em dezembro de 2025, mas afirma ter colaborado com as autoridades durante toda a investigação. De acordo com ela, seus sigilos bancário e fiscal foram disponibilizados e nenhuma irregularidade foi encontrada.
A defesa sustenta que não existem elementos suficientes para uma denúncia por parte da Procuradoria-Geral da República e espera o arquivamento do caso.
Luchsinger também atribuiu parte da repercussão envolvendo seu nome à amizade que mantém com o filho do presidente e ao ambiente de forte polarização política no país.
“Não posso ficar com esse manto de criminalização em cima de mim por ser amiga de alguém”, afirmou.
O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades responsáveis pela Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo descontos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. E mais: Ex-ministro de Lula: Brasil vai virar ‘pária internacional’ após decisão dos EUA sobre PCC e CV. Clique AQUI para ver. (Foto: redes sociais; Fontes: Folha de SP; Poder360)

