Os impactos da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel começam a atingir diretamente consumidores em diferentes partes do mundo, provocando uma das maiores turbulências recentes no setor global de energia.
O principal foco da crise está no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta antes do agravamento do conflito. O quase fechamento da hidrovia pelo Irã reduziu drasticamente o fluxo de petróleo e derivados, obrigando países importadores a recorrerem a estoques emergenciais e medidas improvisadas para evitar colapsos no abastecimento.
Na Índia, o impacto já é sentido no fornecimento de gás de cozinha. O país depende fortemente do gás liquefeito de petróleo (GLP) vindo do Oriente Médio, que representava mais de 90% das importações indianas antes da escalada militar.
Diante da crise, o governo indiano ordenou que refinarias aumentassem a produção interna de GLP para tentar evitar desabastecimento doméstico. A medida, porém, acabou reduzindo a fabricação de alquilatos — componentes usados na produção de gasolina automotiva.
Essa mudança passou a afetar diretamente a Califórnia, onde os motoristas enfrentam uma nova disparada nos preços dos combustíveis. O estado norte-americano utiliza misturas especiais de gasolina com padrões ambientais mais rígidos, e os alquilatos são considerados essenciais por produzirem combustão mais limpa.
Com menor oferta desses componentes no mercado internacional e dificuldades de refinarias asiáticas em acessar petróleo do Oriente Médio, a Califórnia sofre um “duplo impacto”: menos combustível disponível e maior dificuldade para obter os aditivos exigidos por sua legislação ambiental.
Segundo Mason Hamilton, economista-chefe do American Petroleum Institute, “com o fornecimento de GLP da Índia limitado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, as refinarias daquele país estão produzindo e exportando menos alquilato, aumentando a pressão sobre um mercado de gasolina já restrito na Califórnia”.
O cenário ocorre justamente no período de maior demanda nos Estados Unidos, impulsionado pelas viagens de verão. De acordo com Patrick De Haan, analista da GasBuddy, os preços da gasolina podem continuar subindo nas próximas semanas.
“Quanto mais aguda for a escassez de alquilato, mais os preços poderão subir na Califórnia”, afirmou.
Na sexta-feira, o preço médio da gasolina no estado chegou a US$ 6,14 por galão, após atingir US$ 6,16 no início do mês — o maior patamar em mais de três anos. Especialistas avaliam que os valores podem ultrapassar US$ 6,50 caso a crise energética persista.
Dados da GasBuddy indicam ainda que os estoques de gasolina da Califórnia permanecem próximos de mínimas históricas. Enquanto isso, o preço médio nacional nos Estados Unidos estava em US$ 4,52 por galão.
A Comissão de Energia da Califórnia informou que acompanha as mudanças no mercado internacional e reconheceu os impactos das restrições indianas, mas declarou que o estado ainda possui abastecimento adequado de gasolina e componentes de mistura.
Especialistas avaliam que o episódio evidencia como conflitos geopolíticos envolvendo grandes produtores de petróleo podem gerar efeitos em cadeia na economia mundial, atingindo desde o custo do gás de cozinha em países emergentes até os preços dos combustíveis em grandes centros urbanos do Ocidente. E mais: Homem dado como morto dá sinais de vida pouco antes de ser sepultado. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: Reuters)

