Mendonça se revolta com troca de delegado que investigava Lulinha

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A substituição do delegado responsável pelas investigações sobre fraudes no INSS provocou desconforto no Supremo Tribunal Federal e aumentou a pressão sobre a Polícia Federal.

O ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, considerou insuficientes as justificativas apresentadas pela corporação para a mudança no comando da apuração, segundo informações apuradas pela CNN.

De acordo com relatos, Mendonça ainda avalia a possibilidade de adotar alguma medida em relação à alteração, realizada há cerca de duas semanas sem comunicação prévia ao gabinete do magistrado, que é o relator do caso. Assista mais ao fim da reportagem.




O inquérito envolve suspeitas de irregularidades ligadas ao INSS e cita Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Polícia Federal decidiu retirar o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e transferi-lo para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), setor responsável por investigações que tramitam no STF.

O delegado Guilherme Figueiredo Silva, que chefiava a divisão desde julho de 2025, ficou fora da nova estrutura.




Silva vinha tendo papel central na condução da investigação. Foi ele quem assinou pedidos encaminhados ao Supremo envolvendo medidas contra investigados, incluindo a prisão do chamado “Careca do INSS”, ações direcionadas ao senador Weverton Rocha e solicitações de quebra de sigilo relacionadas a Lulinha.

Além disso, o delegado participava das tratativas de acordos de colaboração premiada, entre eles o do empresário Maurício Camisotti.

O investigado chegou a formalizar entendimento com a PF, mas o acordo acabou sendo reenviado para revisão, desta vez com participação da Procuradoria-Geral da República.




Nos bastidores, a atuação da PF em relação a Lulinha vinha causando ‘incômodo’ tanto em integrantes do governo petista quanto entre advogados ligados à defesa do filho de Luiz Inácio.

Em documento enviado ao STF no último dia 8 de maio, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou oficialmente a mudança na condução do inquérito. Nesta sexta-feira, integrantes da equipe responsável pelo caso participaram de uma reunião presencial com Mendonça.

A justificativa apresentada pela PF foi a necessidade de reforçar a estrutura encarregada de investigações em tramitação no Supremo, especialmente diante da proximidade das eleições gerais de outubro.




A corporação também argumentou que casos envolvendo autoridades com foro privilegiado devem tramitar na Coordenação de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.

Com a mudança, praticamente toda a equipe responsável pela investigação foi transferida para a nova coordenação, com exceção de Guilherme Figueiredo Silva. Procurada, a Polícia Federal não comentou o caso além da nota oficial.

O senador Carlos Viana, que presidiu a CPMI do INSS, criticou a decisão e afirmou ter enviado um ofício à direção da PF pedindo esclarecimentos. Em publicação nas redes sociais, declarou:

“Trocar o delegado responsável pelo caso em um momento tão sensível exige transparência absoluta e respostas claras à sociedade”.




Em nota, a Polícia Federal afirmou que a alteração “foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o STF”.

A mudança também ocorreu em meio a reclamações da defesa de Lulinha sobre supostos vazamentos de informações da investigação.

No Congresso, parlamentares da oposição passaram a defender a convocação de Andrei Rodrigues para prestar esclarecimentos sobre a troca no comando do inquérito. (Foto: STF; Fontes: CNN; SBT)

 

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