Um novo levantamento internacional voltou a jogar luz sobre um dos principais desafios do ambiente econômico brasileiro: a elevada complexidade para a condução de negócios.
Em um cenário de mudanças regulatórias e debate sobre reformas estruturais, o país aparece novamente entre os destaques negativos de um ranking global que mede as dificuldades enfrentadas por empresas em diferentes economias.
O Brasil passou a ocupar a terceira pior posição no ranking dos países mais complexos para se fazer negócios em 2026, segundo a nova edição do Índice Global de Complexidade de Negócios (GBCI), divulgado nesta terça-feira (12) pela TMF Group, empresa especializada em serviços administrativos globais.
O resultado representa uma piora em relação a 2025, quando o país aparecia na sexta colocação entre 81 nações e jurisdições avaliadas, que juntas representam mais de 90% da economia mundial.
O levantamento leva em conta critérios como exigências contábeis, tributárias, trabalhistas e regulatórias, buscando medir o nível de dificuldade operacional enfrentado por empresas em cada país.
No ranking de 2026, o Brasil aparece atrás apenas de Grécia e México entre os mais complexos. Na sequência, aparecem países como França, Turquia, Colômbia, Bolívia, Itália, Argentina e Peru.
Na outra ponta, os ambientes considerados menos complexos para negócios incluem Ilhas Cayman, Dinamarca, Jersey, Hong Kong, Holanda, Nova Zelândia, República Tcheca, Ilhas Virgens Britânicas, Malta e Curaçao.
De acordo com a TMF Group, o Brasil apresenta “elevada complexidade estrutural”, resultado de um sistema tributário considerado fragmentado, somado a mudanças regulatórias frequentes e exigências rígidas de compliance.
O estudo também destaca a coexistência de regras distintas entre União, estados e municípios como um dos principais fatores de dificuldade.
Esses elementos acabam impactando diretamente etapas como abertura de empresas, registros e processos de licenciamento, que seguem entre os pontos mais burocráticos do ambiente de negócios brasileiro.
Apesar da piora no ranking, o levantamento também aponta avanços. A digitalização de processos, com a ampliação de assinaturas eletrônicas e sistemas de registro digital, tem contribuído para reduzir parte da burocracia e aumentar a eficiência operacional.
Segundo Santiago Ayerza, Country Head da TMF Group no Brasil, parte da queda no ranking reflete ajustes regulatórios em curso. Ele afirma que mudanças recentes, como a reforma tributária, trouxeram impacto inicial sobre empresas estrangeiras, mas podem gerar ganhos de simplificação no médio prazo, ainda que adicionem novas camadas de adaptação no curto prazo. (Foto: Palácio; Fonte: Exame)

