O jornalista Merval Pereira fez uma análise crítica sobre o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) no cenário político brasileiro e também reconheceu falhas da própria imprensa na condução do debate público.
O colunista avalia que a atuação da Corte teria avançado para além de seus limites institucionais, abrindo espaço para riscos à democracia.
Logo no início de sua análise, Merval aponta que o controle do Judiciário é uma estratégia recorrente em governos autoritários.
“A fórmula mais usada em governos autoritários, de esquerda ou de direita, para controle da democracia sem que suas instituições deixem de funcionar na aparência é o domínio do que aqui se denomina Supremo Tribunal Federal (STF)”, escreveu.
De acordo com o colunista, durante o governo de Jair Bolsonaro, supostos ‘ataques’ à Corte teriam provocado uma ‘reação em defesa‘ do STF por parte de diferentes setores da sociedade.
Nesse contexto, Merval assume que decisões consideradas controversas passaram a ser toleradas como forma de conter ameaças institucionais.
É nesse ponto que o jornalista faz uma autocrítica direta. Ele reconhece que a imprensa falhou ao não questionar com mais rigor algumas dessas medidas.
“Mas seus exageros nunca foram combatidos com o devido rigor por boa parte da imprensa profissional, inclusive eu, no entendimento de que o objetivo final era correto.”
Merval afirma que esse cenário contribuiu para o fortalecimento de posturas mais duras dentro do próprio Supremo. Para ele, a conjuntura política acabou permitindo que certos comportamentos ganhassem espaço dentro da Corte.
O colunista também analisa a mudança de posicionamento do ministro Gilmar Mendes em relação à Operação Lava-Jato.
Ele destaca que o magistrado, que antes apoiava investigações, passou a atuar de forma crítica e, posteriormente, contrária à operação.
Outro ponto abordado é o papel de Alexandre de Moraes no chamado inquérito das fake news, alvo de críticas desde sua origem.
Merval lembra que houve questionamentos técnicos, mas que, ainda assim, muitos setores optaram por não confrontar a iniciativa de forma mais incisiva.
Na avaliação do jornalista, há hoje uma inversão de papéis. Se antes o STF era visto como alvo de pressões políticas, agora passaria a exercer influência direta no jogo político.
“Agora já não é mais um governo autoritário que ameaça o Supremo, é o Supremo que ameaça a democracia se envolvendo em um jogo político”, afirmou.
O texto também menciona reações da Corte a iniciativas do Legislativo, como investigações e propostas que poderiam atingir ministros.
Para Merval, essas respostas seriam desproporcionais e indicariam uma postura de autodefesa institucional.
Ao final, o colunista levanta preocupações sobre o equilíbrio entre os Poderes e o papel do STF no cenário atual. Ele sugere que a Corte tem adotado atitudes que extrapolam sua função constitucional, o que pode gerar tensões com outras instituições. Clique AQUI para ver a coluna na íntegra.

