Um movimento tradicionalista do catolicismo voltou a elevar o tom contra o Vaticano e levantou a possibilidade de um rompimento formal com Roma.
Em meio a divergências que se arrastam há décadas, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) declarou neste fim de semana que pretende consagrar bispos sem a autorização da Santa Sé, o que poderia configurar um novo episódio de cisma na Igreja.
Segundo a própria Fraternidade, as consagrações estão previstas para o dia 1º de julho. O grupo é conhecido por celebrar exclusivamente a Missa Tridentina e por rejeitar pontos centrais das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, que remodelaram práticas e orientações da Igreja Católica a partir da década de 1960.
O superior geral da FSSPX, padre Davide Pagliarani, afirmou que havia solicitado uma audiência com o Papa Leão XIV, em agosto, com o objetivo de tratar da nomeação de novos bispos para a sociedade. No entanto, de acordo com ele, a resposta recebida foi uma carta do Vaticano que, em suas palavras, “não responde de forma alguma aos nossos pedidos”.
Atualmente, a Fraternidade conta com dois bispos em atividade: Dom Bernard Fellay, que já comandou a entidade, e Dom Alfonso de Galarreta, conforme informações divulgadas pela EWTN.
A história do grupo é marcada por um episódio semelhante em 1988, quando seu fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado após ordenar quatro bispos sem autorização papal, durante o pontificado de João Paulo II. Os religiosos ordenados naquela ocasião também sofreram a pena de excomunhão.
Desde então, os papas Bento XVI e Francisco adotaram iniciativas para aproximar novamente a Fraternidade da Igreja. Francisco, inclusive, autorizou padres da FSSPX a ouvirem confissões e celebrarem casamentos, embora tenha deixado claro que o grupo não teria um ministério oficialmente reconhecido enquanto não aceitasse as diretrizes do Concílio Vaticano II.
Apesar do anúncio recente, Pagliarani nega que a intenção seja romper com Roma. Em novembro de 2024, durante as comemorações dos 50 anos da fundação da Fraternidade, ele declarou que “a Fraternidade São Pio X não busca, antes de tudo, a sua própria sobrevivência: busca, primordialmente, o bem da Igreja universal”.
Na mesma ocasião, o sacerdote citou palavras de Lefebvre para reforçar a posição do grupo: “Este único objetivo permanece o nosso hoje, assim como era há 50 anos:
‘É por isso que, sem qualquer rebeldia, amargura ou ressentimento, continuamos nosso trabalho de formação sacerdotal sob a estrela guia do Magistério sempre presente, convictos de que não podemos prestar um serviço maior à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras.’”
De acordo com o jornal Catholic Herald, a FSSPX manteve negociações ao longo do último ano com o Dicastério para a Doutrina da Fé. A reportagem publicada nesta segunda-feira aponta que o anúncio sobre as consagrações pode sinalizar uma interrupção ou desgaste definitivo nessas conversas. E mais: Ex-ministro de Lula processa dois filhos de Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: Vaticano; Fonte: Fox News)

