A Rússia elevou o tom contra os Estados Unidos neste sábado (3) e pediu publicamente a libertação imediata do agora ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa. A cobrança foi feita por meio de um comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, em meio à crescente repercussão internacional da operação americana que resultou na captura do líder venezuelano.
O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou acompanha com preocupação as informações confirmadas sobre a transferência de Maduro para território norte-americano.
“Diante dos relatos confirmados de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa estão nos Estados Unidos, instamos veementemente a liderança americana a reconsiderar sua posição e libertar o presidente legalmente eleito de um país soberano e sua esposa”, declarou. (continua)
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(segue) A manifestação ocorre em um contexto de agravamento das tensões diplomáticas entre Washington, Caracas e aliados do governo venezuelano. A confirmação da captura de Maduro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, provocou reações em cadeia de governos que denunciam violação da soberania e do direito internacional.
Enquanto a Rússia pedia a libertação do presidente venezuelano, o governo dos Estados Unidos avançava em sua ofensiva jurídica. Também neste sábado, o Departamento de Justiça americano anunciou novas acusações formais contra Maduro, sua esposa e seu filho. Segundo a pasta, o núcleo do poder venezuelano teria transformado instituições do Estado em um sistema voltado à corrupção sistêmica sustentada pelo narcotráfico.
De acordo com o documento, o esquema criminoso descrito pelas autoridades americanas “enriquece os bolsos de autoridades venezuelanas e suas famílias, ao mesmo tempo que beneficia narcoterroristas violentos que operam impunemente em solo venezuelano e que ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”.
As acusações reforçam a narrativa de Washington de que a captura de Maduro não se trata apenas de uma ação militar, mas de um passo decisivo para responsabilização criminal de lideranças acusadas de integrar redes transnacionais de tráfico de drogas.
No mesmo dia, Trump ampliou o alcance de suas declarações e fez um alerta direto ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Questionado por jornalistas, o presidente americano afirmou que o líder colombiano “tem que ficar esperto” após a operação contra Maduro.
“Ele [Gustavo Petro] tem rotas de cocaína, tem fábricas onde é produzida cocaína, então eu mantenho o que eu disse anteriormente: ele está produzindo cocaína e depois enviando para os EUA, então, sim, tem que ficar esperto”, disse Trump, em fala que acentuou ainda mais o clima de tensão na região.
As declarações do presidente americano provocaram reação imediata entre analistas internacionais, que veem risco de ampliação do conflito diplomático na América Latina. Especialistas alertam que a combinação de ações militares, acusações criminais e discursos públicos agressivos pode desencadear impactos políticos, econômicos e de segurança em países vizinhos, especialmente aqueles com fronteiras sensíveis e fluxos migratórios intensos.
Com a Rússia exigindo a libertação de Maduro, os Estados Unidos reforçando acusações judiciais e Trump ampliando críticas a líderes regionais, o cenário internacional segue marcado por instabilidade e incertezas quanto aos próximos passos da crise venezuelana. (Foto: Tass; Fonte: CNN)

