Adoção do sobrenome do marido despenca para menos da metade entre as esposas

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A tradição de incorporar o sobrenome do marido, durante décadas dominante nos casamentos brasileiros, perdeu força entre as mulheres de São Paulo.

Levantamento feito pelos Cartórios de Registro Civil do estado mostra que essa prática se tornou minoritária. Em 2024, somente 49% das noivas decidiram acrescentar o nome do cônjuge após o matrimônio — o índice mais baixo desde o início da série histórica, em 2003.

Entre os 241.906 casamentos realizados no ano passado, cerca de 120 mil resultaram em mudança de sobrenome feminino. (continua)

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A alteração, contudo, não traz implicações jurídicas ou diferenciações no vínculo matrimonial. A comparação com os primeiros anos do novo Código Civil reforça a mudança de comportamento:

em 2003, 77,8% das mulheres assumiam o sobrenome do parceiro. Os números, compilados pela Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de São Paulo), evidenciam a transformação sociocultural ao longo de duas décadas.

A adoção do novo Código Civil é usada como marco porque ele modificou diversos aspectos da vida conjugal, entre eles a flexibilização dos regimes de bens e a abertura para que o homem também pudesse adotar o sobrenome da esposa. Mas, na prática, essa possibilidade quase não se refletiu no comportamento da população.

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Em 2003, dos 201.658 casamentos realizados, apenas 3,8% dos maridos incorporaram o nome da mulher. Em 2024, esse percentual encolheu ainda mais, chegando a apenas 0,88%.

Para o especialista Hepner, “isso revela a manutenção dos padrões tradicionais, mas também a influência do custo e da burocracia para a troca de documentos”.

Outra alternativa prevista na legislação — a inclusão recíproca dos sobrenomes — também permanece pouco utilizada. Em 2003, 9,7% das uniões registraram essa escolha. Em 2024, o índice caiu levemente, ficando em 8,4%. (Foto: PixaBay; Fonte: Folha de SP)

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