A Wilson Sons (PORT3), uma das empresas mais antigas ainda em operação no Brasil, encerrou nesta quinta-feira (23) sua trajetória na bolsa brasileira.
O movimento ocorreu após a conclusão do leilão da oferta pública de aquisição de ações unificada, lançada pela gigante global de navegação MSC, que adquiriu o total de 130 milhões de papéis da companhia pelo preço de R$ 18,53 cada.
A empresa havia estreado na bolsa em 2007, em um IPO que fazia parte de uma reorganização societária do grupo, controlado desde então pela Ocean Wilsons Holdings Limited — companhia sediada nas Bermudas e listada na Bolsa de Londres desde o século XIX.
Na época, a entrada no mercado de capitais brasileiro visava fortalecer o financiamento de projetos de expansão, com foco nos segmentos de terminais portuários, rebocagem e apoio offshore.
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Em 2021, a Wilson Sons passou por uma nova reestruturação societária, migrando das negociações por BDRs (Brazilian Depositary Receipts) para ações ordinárias diretamente listadas na B3 sob o ticker PORT3. A medida simplificou a estrutura acionária e aumentou a liquidez, resultando em uma valorização de cerca de 60% desde então.
História centenária
Fundada em 1837 no Rio de Janeiro pelos irmãos escoceses Edward e Fleetwood Pellew Wilson, a Wilson Sons começou como uma empresa de serviços marítimos e apoio portuário.
Nos primeiros anos, suas operações se concentravam na reparação de navios, construção naval e serviços logísticos ligados à navegação, atividades essenciais para o desenvolvimento do comércio marítimo brasileiro no século XIX.
Ao longo do tempo, a companhia expandiu sua atuação para diversos portos do país, acompanhando o crescimento do comércio internacional e da infraestrutura portuária nacional. Hoje, a Wilson Sons é reconhecida como uma das líderes em serviços portuários, marítimos e logísticos no Brasil. Suas operações incluem:
dois terminais de contêineres (Tecon Salvador e Tecon Rio Grande);
uma frota de mais de 80 rebocadores;
um estaleiro próprio no Guarujá (SP);
serviços de apoio offshore, logística, agenciamento marítimo e terminais de carga.
O encerramento das negociações na B3 marca um capítulo significativo da história da companhia no mercado de capitais brasileiro, consolidando a integração com a MSC e reforçando o foco em operações estratégicas, infraestrutura portuária e serviços marítimos especializados.
Especialistas em mercado de capitais destacam que movimentos como este, de aquisição total de ações, são comuns em companhias com longa tradição, especialmente quando há oportunidades de sinergia e expansão internacional.
Para os investidores, a operação representa o fechamento de uma etapa de valorização robusta, enquanto para a empresa, abre caminho para novos investimentos e consolidação no setor de transporte marítimo e logística. (Foto: reprodução; Fonte: MoneyTimes)
