O país da Europa que Trump sugere expulsar da OTAN e o motivo

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Durante um encontro sobre acordos comerciais e defesa marítima, o presidente Donald Trump sugeriu que um dos países da Europa Ocidental fosse expulso da OTAN.

A declaração foi feita na Casa Branca, na quinta-feira (10), durante uma reunião com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, para o anúncio do acordo para a venda de 11 navios quebra-gelo ao governo finlandês.

O comentário de Trump surgiu quando o republicano voltou a questionar o baixo investimento em defesa de um de seus aliados europeus. Ele criticou o fato de o país não ter cumprido sua exigência de elevar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) — meta bem acima do compromisso de 2% estabelecido pela própria OTAN.

Trump se referiu diretamente à Espanha, governada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, com quem mantém desentendimentos desde a cúpula da aliança em Haia, em junho.

“Como sabem, pedi que pagassem cinco por cento e não dois por cento. E a maioria das pessoas pensava que isso não ia acontecer, e aconteceu praticamente por unanimidade. Tivemos um elemento desfasado. Foi Espanha. Espanha”, disse Trump.

O republicano ironizou o país ibérico e sugeriu, em tom de crítica, que ele deveria ser expulso da OTAN.
“Sabem o que é engraçado? Por causa de muitas das coisas que fizemos, eles estão a ir bem. Eles não têm desculpa para não o fazer, mas não faz mal. Talvez devêssemos expulsá-los da NATO, francamente”, afirmou o presidente americano.

Trump já havia dito em outras ocasiões que os Estados Unidos não aceitariam ser explorados militarmente pela Europa, reforçando que cada nação deve “puxar pelo seu peso” dentro da aliança e contribuir proporcionalmente para sua própria defesa.

Apesar das declarações polêmicas, o encontro entre Trump e Stubb teve como resultado formal a aprovação da venda de 11 quebra-gelos médios para a Finlândia, num contrato avaliado em US$ 6,1 bilhões (cerca de € 5,27 bilhões).

O primeiro navio deve ser entregue até 2028. O país nórdico, que faz fronteira direta com a Rússia, busca reforçar suas defesas diante das ameaças persistentes de Moscou desde a invasão da Ucrânia em 2022.

Durante a reunião, os dois líderes também falaram sobre o Prêmio Nobel da Paz, tema que Trump abordou de maneira bem-humorada.

“Bem, não sei. Olha, fiz sete acordos e agora são oito. Resolvi as guerras, uma que durou 31 anos, uma que durou 34 anos, uma que durou 35 anos, uma que durou 10 anos. Fiz 7 acordos. Este seria o número 8”, afirmou o republicano.

“Mas eles (comitê Nobel) têm de fazer o que fazem. O que quer que façam é ótimo. Eu sei o seguinte. Não o fiz por isso. Fi-lo porque salvei muitas vidas”, completou.

Stubb, por sua vez, evitou entrar em polêmicas, mas reconheceu que Trump “tem potencial para o prêmio”, desde que as tensões no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia sejam resolvidas. “Uma vez resolvidos esses problemas, não vejo qualquer impedimento”, disse o finlandês.

Até hoje, quatro presidentes dos Estados Unidos receberam o Prêmio Nobel da Paz: Theodore Roosevelt, Woodrow Wilson, Jimmy Carter e Barack Obama. Caso fosse escolhido, Trump se tornaria o primeiro republicano a conquistar o prêmio desde Roosevelt, há mais de um século. (Foto: reprodução redes sociais; Fonte: EuroNews)

O que é a OTAN
A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), conhecida internacionalmente como NATO, foi criada em 4 de abril de 1949, no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de garantir a defesa coletiva entre os países-membros diante da expansão da União Soviética.

A aliança nasceu com 12 nações fundadoras, incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e França, e hoje conta com 32 membros, entre eles Finlândia e Suécia, que aderiram recentemente.

Seu princípio central está no Artigo 5º do tratado, que estabelece que um ataque armado contra qualquer país membro é considerado um ataque contra todos — ou seja, as nações comprometem-se a reagir em conjunto para proteger qualquer integrante ameaçado.

Para fazer parte da OTAN, os países precisam atender a critérios que incluem governo democrático, respeito aos direitos humanos e capacidade de contribuir militarmente para a segurança coletiva. Em troca, recebem proteção militar e cooperação estratégica com algumas das forças armadas mais poderosas do mundo.

Atualmente, a OTAN é vista como um dos principais pilares da segurança global, com presença militar em missões de paz, combate ao terrorismo e defesa cibernética, além de desempenhar papel crucial no apoio à Ucrânia desde o início da guerra com a Rússia.

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