Os cotados para a vaga de Barroso no STF

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Brasília vive dias de intensa movimentação política com aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. A saída dele abre uma das cadeiras mais cobiçadas da República, e o Palácio do Planalto já começou a analisar possíveis nomes para ocupar o posto.

Nos bastidores, ministros, parlamentares e aliados do governo se articulam em torno de preferências e apostas que vão do previsível ao inesperado — e um nome, em especial, tem ganhado destaque silencioso.

O favorito
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é hoje o nome que mais agrada ministros do Supremo Tribunal Federal para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria. Segundo apuração do Painel, da Folha de S.Paulo, magistrados da Corte veem em Pacheco um perfil considerado ideal: discreto, com sólida formação jurídica e trânsito político equilibrado entre os três Poderes.

Um dos ministros chegou a classificá-lo como o líder “em termos de bem querência” dentro do Supremo, expressão usada para indicar a boa aceitação do senador entre os integrantes da Corte. Outro fator que reforça seu favoritismo é o apoio do ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como um dos principais aliados e padrinhos políticos de Pacheco.

Outros nomes no radar
Além de Pacheco, dois outros nomes aparecem entre os mais comentados nos bastidores de Brasília: Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, e Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Ambos têm trajetória jurídica reconhecida e boas relações políticas, o que os torna alternativas viáveis para o Palácio do Planalto.

Messias tem a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem trabalhou em gestões anteriores, enquanto Dantas é visto como um perfil técnico e de diálogo, com experiência no controle de contas públicas.

Surpresa
Com a saída antecipada de Barroso, Lula também ganhará o direito de indicar o novo relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo. A mudança ocorre porque, no início do mês, Edson Fachin assumiu a presidência do STF, repassando seu acervo — que incluía cerca de 100 processos ligados à Lava Jato — para Barroso.

Esses casos tratam de temas como bloqueio de bens, pagamento de multas e acordos de delação, muitos deles sob sigilo judicial. De acordo com o regimento interno do STF, o novo ministro escolhido por Lula herdará automaticamente esses processos, a menos que o tribunal decida redistribuí-los antes da nomeação.

O peso político e o precedente de 2017
A eventual escolha de Lula poderá reacender discussões políticas, já que ele próprio foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do “triplex do Guarujá”, ligado à Lava Jato — processo que o levou à prisão por 580 dias em Curitiba, em 2018.

No entanto, há precedentes que indicam que o STF pode agir para evitar que o novo ministro herde os casos da operação. Em 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki, o então presidente Michel Temer nomeou Alexandre de Moraes para o Supremo, mas a ministra Cármen Lúcia, então presidente da Corte, decidiu antecipar o sorteio dos processos da Lava Jato, impedindo que o novo indicado recebesse os casos.

Manobras possíveis e impacto limitado
A Corte poderia repetir a manobra agora, redistribuindo os processos antes da nomeação de Lula, especialmente se houver pedidos urgentes. No entanto, o impacto seria menor desta vez. Isso porque a Lava Jato foi, em grande parte, desmontada por decisões recentes do STF, e as ações mais sensíveis já estão sob relatoria de Dias Toffoli, que cuida do chamado caso “Vaza Jato”.

Assim, embora o sucessor de Barroso possa, em tese, assumir a relatoria da operação, o peso político e jurídico dessa função é hoje muito menor do que em anos anteriores. Ainda assim, a escolha de Lula — e a eventual entrada de Rodrigo Pacheco no Supremo — promete movimentar os bastidores da política e da Justiça nas próximas semanas.

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