O julgamento do ex-presidente Bolsonaro (PL) e de outros sete réus pela trama golpista de 2022 voltou a gerar tensão nesta terça-feira (9) no Supremo Tribunal Federal (STF).
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, havia iniciado a leitura de seu voto sobre a denúncia há apenas sete minutos quando o ministro Luiz Fux indicou uma possível divergência.
Moraes se preparava para examinar as preliminares levantadas pelas defesas quando Fux solicitou a palavra, afirmando que “voltaria a elas” em seu momento de manifestação.
“Desde o recebimento da denúncia, por uma questão de coerência, eu sempre ressalvei e fui vencido nessas disposições”, disse Fux, sinalizando que repetirá a discordância manifestada em março.
O relator destacou que várias das preliminares já haviam sido rejeitadas por unanimidade, inclusive com o voto de Fux, com exceção da questão relativa à competência da Primeira Turma. É justamente nesse ponto que o ministro deve reiterar sua posição: para ele, a investigação sobre a suposta ‘tentativa de golpe’ deveria tramitar no plenário, com quórum completo, e não em um colegiado menor.
Fux é o terceiro a votar na sequência, após Moraes e o ministro Flávio Dino. Em seguida, apresentam suas posições a ministra Cármen Lúcia e o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin.
O julgamento também registrou um episódio de tensão durante a retomada da sessão. Flávio Dino interrompeu Moraes para um aparte, brincando que o colega, que já falava há mais de duas horas, “precisava tomar uma água”.
Após a intervenção, Fux lembrou que os ministros haviam combinado de não interromper uns aos outros, enquanto Zanin explicou que a interrupção havia sido autorizada pelo relator.
Fux reforçou que não permitiria interrupções durante seu voto, devido à extensão de sua manifestação. Moraes contrapôs que o pedido de fala foi feito a ele, e não a Fux, ao que Dino respondeu que não solicitara a palavra ao colega.
O ministro Luiz Fux anunciou, em menos de cinco minutos de sessão, que vai divergir do ministro Alexandre de Moraes nas questões preliminares apresentadas pelas defesas. No recebimento da denúncia, Fux foi o único a ser contra o julgamento ocorrer no STF e também na Primeira… pic.twitter.com/lIWYqfkxfP
— Folha de S.Paulo (@folha) September 9, 2025
?URGENTE – Fux bate de frente com Alexandre de Moraes e Dino dizendo que o acordo de não interrupção tem que ser cumprido
“Conforme combinamos naquela sala, os ministros votariam sem intervenções de outros colegas (…) eu gostaria de cumprir o que combinamos quando eu votar” pic.twitter.com/1Xe7mpqvFQ
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) September 9, 2025

