Em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasília e Washington, o impacto das novas tarifas impostas pelo governo Donald Trump já começa a aparecer nas estatísticas brasileiras. O primeiro mês de vigência da sobretaxa de 50% sobre produtos nacionais trouxe reflexos diretos no comércio exterior.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 18,5% em agosto, mês em que entrou em vigor o tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump.
Segundo dados divulgados na quinta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as vendas somaram US$ 2,76 bilhões, contra US$ 3,39 bilhões no mesmo período de 2024 — uma perda de cerca de US$ 600 milhões.
Apesar da retração em relação ao mercado americano, o Brasil registrou um aumento de 3,9% no total de exportações no mês. O desempenho foi impulsionado principalmente por maiores vendas para a China (+31%), México (+43,82%) e Argentina (+40,37%).
No caso dos Estados Unidos, alguns dos principais produtos tiveram quedas expressivas. O minério de ferro, por exemplo, deixou de ser exportado para o país.
As vendas de aeronaves e peças caíram 84,9%, enquanto os embarques de produtos semiacabados de ferro e aço recuaram 23,4%. Óleos combustíveis de petróleo (-37%) e açúcares e melaço (-88,4%) também figuraram entre as maiores quedas.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, destacou que os impactos atingiram tanto produtos diretamente taxados quanto aqueles que não sofreram sobretaxa.
“Temos produtos que foram afetados pela alta das tarifas, e outros que não foram afetados, mas que tiveram movimento semelhante, de queda. Isso aconteceu nas duas categorias. Provavelmente, o grau de incerteza em julho gerou uma antecipação de embarques, fazendo com que alguns produtos caíssem em agosto”, afirmou.
Brandão acrescentou que itens como açúcar, máquinas, equipamentos e carne bovina também recuaram fortemente no período. “É muito provável que isso esteja relacionado às tarifas, que geram maior nível de preço e redução da demanda”, explicou.
No geral, o Brasil acumulou em agosto superávit comercial de US$ 6,1 bilhões, elevando o saldo positivo do ano para US$ 42,8 bilhões. A indústria da transformação, porém, registrou queda de 0,9% nas exportações em valor, ainda que o volume tenha crescido 7%.
Segundo Brandão, ainda não é possível afirmar se o aumento das vendas para China e México está diretamente ligado ao tarifaço americano.
A decisão de Trump de impor tarifas mais pesadas ao Brasil, com algumas exceções, foi acompanhada de sanções contra autoridades brasileiras. Entre elas, Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluído na Lei Magnitsky, que restringe operações financeiras envolvendo empresas americanas.
O republicano condicionou qualquer negociação à suspensão do processo contra o ex-presidente Bolsonaro (PL). (Foto: PixaBay; Fonte: Folha de SP)

