O segundo trimestre de 2025 confirmou o agravamento da crise nos Correios. A estatal fechou o período com perdas de R$ 2,64 bilhões, número quase cinco vezes superior ao déficit de R$ 553,2 milhões registrado um ano antes. No acumulado do semestre, o saldo negativo alcançou R$ 4,37 bilhões, contra R$ 1,35 bilhão no mesmo intervalo de 2024.
As demonstrações financeiras, publicadas na noite dessa sexta-feira (5), revelam um quadro de fragilidade crescente, com queda de receitas e elevação das despesas, sobretudo em razão de precatórios e da folha salarial.
Apenas no segundo trimestre, os gastos com sentenças judiciais saltaram para R$ 1,2 bilhão, alta de 812,6% frente ao mesmo período de 2024.
Além disso, a despesa com pessoal chegou a R$ 2,8 bilhões, um aumento de 9,5% na comparação anual, puxado pelo reajuste de 4,11% concedido no acordo coletivo e pela retomada da gratificação de férias de 70%.
Do lado da receita, o desempenho foi igualmente preocupante. O faturamento bruto somou R$ 4,4 bilhões, queda de 11,2% em relação ao ano passado. O maior baque veio do segmento internacional: entre abril e junho, a arrecadação com postagens caiu 63,6%, resultado do programa Remessa Conforme, que transferiu para plataformas privadas o desembaraço de pequenas encomendas. No semestre, essa linha de negócios recuou 61,3%, somando apenas R$ 815,2 milhões.
Para enfrentar o colapso financeiro, a empresa tem vendido imóveis, lançado um programa de demissão voluntária (PDV) — com adesão de 3.500 empregados — e buscado novas fontes de receita, como a criação de um marketplace. Mesmo assim, precisou recorrer a financiamentos. Só neste ano, contratou R$ 1,8 bilhão em empréstimos junto ao Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil.
Apesar do fôlego momentâneo, cresce a preocupação com a quitação futura, prevista para 2026. Enquanto isso, os atrasos com fornecedores se acumulam: em junho, o saldo de obrigações alcançou R$ 2 bilhões, o dobro do registrado no mesmo período de 2024.
Internamente, a percepção é de que não há margem para novas negociações salariais, embora trabalhadores estejam em campanha por reajustes e até tenham aprovado paralisações em algumas localidades.
A deterioração financeira também foi um dos fatores que levaram o presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, a entregar sua carta de renúncia em julho. Dois meses depois, porém, a saída não foi oficializada porque o governo ainda não definiu quem ocupará o comando da empresa — cargo que desperta interesse de partidos como União Brasil e PT.
Diante desse cenário, os Correios já alertaram o Planalto sobre a necessidade de apoio federal para evitar um colapso no caixa.
O recado foi dado ao ministro Fernando Haddad (Fazenda) e a outros integrantes do Executivo em junho. Apesar da resistência da equipe econômica, que argumenta falta de espaço no orçamento, a avaliação dentro do governo é de que uma ajuda pode se tornar inevitável. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

