Autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos teriam informado a aliados de Jair Bolsonaro que a revogação dos vistos de Alexandre de Moraes e de outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF) é apenas o começo, a primeira etapa de uma série de medidas contra o Brasil. A informação foi publicada neste sábado (20) pela Folha de S.Paulo.
Segundo a reportagem, um interlocutor do governo norte-americano teria avisado a bolsonaristas que “o Brasil terá uma longa semana a partir do dia 21”, sugerindo que novas ações diplomáticas e econômicas estão sendo preparadas.
A escalada de tensão teria sido intensificada após a decisão de Moraes, na última sexta-feira (18), que impôs restrições ao ex-presidente Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno.
Ainda de acordo com a Folha, o presidente Donald Trump, principal aliado de Bolsonaro nos Estados Unidos, teria classificado a decisão do ministro como “uma declaração de guerra” contra ele e contra os próprios EUA. “Todas as opções estão na mesa”, teria afirmado Trump em reuniões com sua equipe.
Entre as possíveis medidas discutidas por assessores próximos a Trump estão o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, passando dos atuais 50% para até 100%, além de sanções conjuntas com a Otan e bloqueios tecnológicos, como o acesso a satélites e ao sistema GPS.
Também está em análise a aplicação da chamada Lei Magnitsky — legislação americana que permite sancionar indivíduos estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos. Se enquadrados nessa lei, Moraes e outros ministros do STF podem sofrer restrições financeiras e ter suas contas congeladas em território americano.

