Frigoríficos localizados em Mato Grosso do Sul decidiram interromper temporariamente a produção de carne destinada aos Estados Unidos, após o anúncio do governo norte-americano de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros.
A medida foi confirmada pelo governo estadual e pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado (Sincadems). Enquanto isso, a produção voltada ao mercado interno segue sem alterações.
De acordo com Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do Sincadems, a suspensão das atividades nos setores voltados ao mercado americano é uma estratégia para evitar excesso de estoque, já que os custos com a nova taxação tornam as vendas ao exterior economicamente inviáveis.
“A produção de carne foi paralisada apenas naqueles setores específicos para produção aos EUA. Se eu produzir e enviar carne hoje, a carga chegará aos EUA já com a tributação adicional. A taxação causou inviabilidade financeira para os produtores”, explicou.
Até o momento, ao menos quatro frigoríficos no estado interromperam a linha de produção destinada ao mercado dos EUA, segundo o sindicato. São eles: JBS, Naturafrig, Minerva Foods e Agroindustrial Iguatemi. Dentre eles, apenas a Naturafrig se manifestou, informando que cerca de 5% de sua produção era voltada para o mercado norte-americano. Os demais não responderam aos questionamentos da imprensa.
A Associação Brasileira de Exportadores de Carne (Abiec) também relatou uma retração expressiva no ritmo da produção voltada aos EUA, enquanto o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS, Jaime Verruck, alertou sobre o impacto do acúmulo de carnes que já estavam preparadas para exportação.
“Têm um volume de carne estocada que deveria ir para o mercado americano, mas que não tem mais tempo de chegar até o dia 1º de agosto. Com isso, eles [frigoríficos] passam a ajustar suas escalas de produção para buscar a relocação desse produto. Temos, então, um aumento de estoque da carne que seria direcionada aos Estados Unidos”, explicou o secretário.
A preocupação se justifica: os Estados Unidos são o segundo principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China. Segundo dados do Ministério da Agricultura, os americanos respondem por 12% das exportações brasileiras do setor, enquanto os chineses absorvem cerca de 48% do total. Diante desse cenário, frigoríficos e autoridades locais agora buscam alternativas para redistribuir a produção represada.
“Nossos frigoríficos já estão parando de produzir carne destinada aos Estados Unidos. (…) Com essa taxação, se torna inviável a exportação de carne bovina para os EUA, que é o nosso segundo maior comprador, e nós temos cerca de 30 mil toneladas produzidas que estão nos portos… pic.twitter.com/bpZjsHp5HO
— GloboNews (@GloboNews) July 15, 2025
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