A Uber do Brasil encaminhou notificação extrajudicial Guilherme Boulos, contestando declarações públicas que, na visão da empresa, sugerem envolvimento de agentes políticos em interesses da plataforma.
A ação da Uber se baseia em dois vídeos recentes divulgados pelo ministro de Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi antecipada pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo.
No vídeo intitulado “O iFood e a Uber estão mentindo para você”, publicado em 22 de março no YouTube, Boulos afirmou que “nada me tira da cabeça que tem algum negócio aí”, questionando se políticos estariam defendendo a empresa “gratuitamente”.
Em outra transmissão, a live “Bom dia Ministro”, do dia 17, o ministro declarou que influenciadores e políticos estariam “a serviço” de plataformas e, possivelmente, receberiam “dinheiro em troca” de uma suposta defesa dos interesses da Uber e de outros aplicativos.
A notificação extrajudicial funciona como um aviso formal enviado por advogados antes de uma ação judicial, sem gerar efeitos legais imediatos, mas sinalizando a intenção da empresa de recorrer à Justiça caso não haja correção.
Boulos tem colocado a pauta dos aplicativos como destaque do governo em ano eleitoral, defendendo a regulamentação do setor e comparando o tema à redução da jornada de trabalho sem corte de salário, o “fim da escala 6 x 1”, criticando empresas que considera “arrogantes” e “intransigentes”.
Na notificação, a Uber ressaltou possuir políticas rigorosas de compliance e integridade, com “tolerância zero” a práticas de suborno e corrupção.
A empresa destacou que “críticas e opiniões” são legítimas em uma democracia, mas que não devem ser confundidas com “liberdade para proferir acusações criminais sem comprovação”.
A companhia americana solicita que o ministro forneça provas concretas, encaminhe “detalhes, nomes de envolvidos e valores pagos” que respaldem as alegações, para que a Uber possa iniciar investigações internas.
O documento, assinado pelos advogados Douglas Leite e Fernanda Cohen, também exige que Boulos cesse acusações consideradas “inverídicas e sem respaldo probatório” contra a plataforma. E mais: Moraes responde pedido para acesso irrestrito dos filhos a Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Gazeta do Povo; Folha de SP)

