O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato à Rússia nesta segunda-feira, 14: ou o líder russo, Vladimir Putin negocia um cessar-fogo com a Ucrânia em até 50 dias, ou Moscou será alvo de novas e duras sanções econômicas.
“Estamos muito, muito insatisfeitos (com a Rússia), e vamos aplicar tarifas muito severas se não alcançarmos um acordo (de cessar-fogo) em 50 dias”, disse Trump, durante reunião com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, na Casa Branca.
Trump disse que o valor das tarifas será de “cerca de 100%” além dos valores já atualmente aplicados. A ameaça se refere a tarifas diretas, o que teria um impacto mínimo em Moscou, pois a Rússia vende muito pouco para os Estados Unidos (menos de US$ 5 bilhões em 2024).
O presidente dos Estados Unidos também declarou que imporá tarifas “extremamente severas” a nações que continuarem mantendo relações comerciais com a Rússia, caso o governo de Vladimir Putin não aceite negociar o cessar-fogo com a Ucrânia nos próximos 50 dias.
Segundo Trump, as taxas podem atingir até 100% sobre produtos de países como China, Índia e Brasil, que atualmente mantêm laços comerciais com Moscou. “Vamos aplicar tarifas secundárias se não houver acordo em 50 dias. Serão de 100%, é simples assim”, afirmou o presidente norte-americano.
A ameaça representa um endurecimento na postura do governo dos EUA em relação à guerra no Leste Europeu, mas segue em linha diferente do projeto que tramita no Congresso americano. A proposta bipartidária, apoiada por mais de 80 senadores, sugere sanções ainda mais rigorosas, com até 500% de taxação para quem continuar importando petróleo e urânio da Rússia.
Durante o encontro, Trump também oficializou um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia, viabilizado em parceria com os países membros da Otan. O acordo prevê o envio de sistemas de defesa aérea Patriot e outras armas, financiadas pelas nações europeias. “A Ucrânia terá acesso a uma quantidade realmente enorme de equipamentos militares”, destacou Mark Rutte.
Após a reunião em Washington, Trump conversou por telefone com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O líder da Ucrânia agradeceu o apoio americano e afirmou que discutiu com o republicano formas de fortalecer a defesa do país contra os bombardeios russos.
A ameaça de novas sanções foi interpretada por aliados ocidentais como um forte recado ao Kremlin. Rutte disse que, se estivesse no lugar de Putin, “reconsideraria imediatamente” a postura diante das exigências de Trump.
O presidente americano reforçou que, apesar de diálogos prévios com o líder russo, o comportamento de Moscou tem sido contraditório. “Minhas conversas com ele são cordiais, mas à noite os mísseis continuam a ser lançados”, comentou.
A medida teve repercussão entre líderes europeus. O chanceler alemão Friedrich Merz elogiou o movimento de Trump e afirmou que a Alemanha terá papel decisivo na aliança com os EUA. Já Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, classificou como positiva a nova postura de Washington, mas criticou o prazo estipulado. “Cinquenta dias é muito tempo quando civis morrem diariamente”, disse. (Foto: reprodução vídeo; Fontes: O Globo; Estadão)
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