As audiências realizadas nesta quarta-feira (16) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para ouvir testemunhas de defesa em ações penais relacionadas a uma suposta tentativa de golpe durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro registraram um comparecimento muito abaixo do esperado. Das 29 pessoas previstas para depor, apenas cinco efetivamente prestaram declarações.
Os depoimentos fazem parte do processo que apura a atuação dos chamados núcleos 2 e 4 em uma suposta articulação golpista.
Entre os nomes indicados pelas defesas estavam os filhos de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (deputado licenciado) e Carlos Bolsonaro (vereador no Rio de Janeiro), além de figuras políticas como os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Eduardo Girão (Novo-CE) e o ex-ministro Onyx Lorenzoni.
Grande parte dos ausentes teve dispensa autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações. Outros nomes foram excluídos por falta de vínculo com os acontecimentos investigados ou por decisão das próprias defesas.
Uma ausência de destaque foi a do delegado da Polícia Federal Fábio Shor, responsável pela investigação que levou ao indiciamento de 34 pessoas, incluindo Jair Bolsonaro.
A defesa de Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência e réu no núcleo 2, chegou a solicitar a oitiva do delegado. Inicialmente, Moraes acatou a intimação para outro momento, mas no encerramento da sessão sinalizou que caberia aos advogados providenciar a presença das testemunhas, descartando nova intimação.
Na audiência dedicada ao núcleo 2, apenas duas testemunhas foram ouvidas: o senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil, e o general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional. Ambos afirmaram não conhecer os acusados e negaram qualquer envolvimento em ‘plano golpista’. Nenhuma informação nova relevante foi trazida por eles.
Paralelamente, durante a sessão referente ao núcleo 3, presidida pela juíza auxiliar Luciana Sorretino, apenas três das oito testemunhas convocadas compareceram. Um dos depoentes foi Julio Valente, secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reafirmou a confiabilidade das urnas eletrônicas e desmentiu boatos sobre o processo eleitoral.
Com o encerramento das oitivas do núcleo 4 nesta quarta-feira, os depoimentos dos núcleos 2 e 3 devem continuar até o próximo dia 23 de julho. Após essa etapa, os réus serão ouvidos — as datas para essa nova fase ainda não foram definidas. (Foto: STF; Fonte: Dinheiro Rural)
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