O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nessa terça-feira, 31, que o Estado considera recuperar o antigo sistema funicular de Paranapiacaba como uma possível solução para tirar do papel o Trem Intercidades ligando a capital ao litoral paulista.
A declaração ocorreu durante a inauguração da Linha 17-Ouro, ao abordar as dificuldades técnicas do projeto na travessia da Serra do Mar.
“Por incrível que pareça, o que está parecendo mais viável é restaurar o funicular que está abandonado há muito tempo”, disse o governador, conforme reportagem do portal especializado ‘Metro CPTM’.
A conexão ferroviária entre São Paulo e a Baixada Santista esbarra em um dos maiores desafios da infraestrutura paulista: o desnível de aproximadamente 800 metros entre o planalto e o nível do mar.
Atualmente, diferentes alternativas estão sendo analisadas, incluindo trajetos próximos à Rodovia dos Imigrantes, percursos mais extensos passando por Parelheiros com chegada em Itanhaém e, mais recentemente, a reutilização de uma estrutura histórica que está desativada há décadas.
O sistema funicular de Paranapiacaba foi originalmente criado no século XIX justamente para superar esse obstáculo geográfico.
Desenvolvido pela São Paulo Railway e inaugurado em 1867, o mecanismo permitia que trens cruzassem a serra por meio de planos inclinados, com o uso de cabos de aço e equipamentos fixos.
Na prática, o modelo operava de forma semelhante a um elevador. Enquanto um trem subia, outro descia simultaneamente, funcionando como contrapeso.
As composições eram interligadas por cabos movimentados por máquinas instaladas em pontos intermediários, conhecidos como patamares.
Esse sistema diminuía a necessidade de força das locomotivas e possibilitava o transporte de cargas pesadas em terrenos íngremes.
A primeira versão, chamada de “Serra Velha”, possuía cerca de 8 quilômetros distribuídos em quatro trechos inclinados.
Com o crescimento da demanda, no final do século XIX, foi implantada uma segunda linha paralela, a “Serra Nova”, inaugurada em 1900. Com aproximadamente 10,5 quilômetros, o novo traçado trouxe avanços tecnológicos e maior capacidade operacional.
O uso do funicular começou a ser encerrado a partir da década de 1970, quando entrou em funcionamento o atual sistema de cremalheira-aderência, construído em rota paralela e hoje operado pela concessionária de cargas MRS. Desde então, a antiga estrutura caiu em desuso, sendo tomada pela vegetação e sofrendo deterioração ao longo dos anos.

