Saiba qual foi o tamanho do prejuízo das Havaianas após polêmica do ‘pé direito’

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A Alpargatas, controladora da marca Havaianas, registrou uma sessão de perdas expressivas na B3 nesta segunda-feira (22), em meio à controvérsia gerada por sua mais recente campanha publicitária.

As ações da companhia recuaram 2,4%, passando a ser negociadas a R$ 11,44, movimento que resultou em uma redução de cerca de R$ 152 milhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

A reação negativa ganhou força após a divulgação de um comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres. O foco das críticas, feitas principalmente por apoiadores da direita nas redes sociais, foi um trecho da peça publicitária em que a atriz afirma não querer que o público comece 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”. (continua)

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(segue) A frase foi interpretada por políticos e influenciadores como uma mensagem política disfarçada. Entre os críticos estão o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que associaram o conteúdo da campanha a uma posição ideológica da marca. Procurada pela Folha, a Havaianas não se manifestou até a publicação da reportagem.

Em um vídeo publicado no Instagram, Eduardo Bolsonaro afirmou que sempre viu a Havaianas como um símbolo nacional, mas disse ter mudado de opinião. “Só que eu me enganei, eles escolheram para ser a garota-propaganda da sandália uma pessoa declaradamente de esquerda”, declarou. Ele também questionou a frase do comercial e afirmou que “isso não foi por acaso”, antes de jogar um par de chinelos no lixo.

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Na mesma publicação, o ex-deputado escreveu que “quem lacra não lucra”. O vídeo ultrapassou 5 milhões de visualizações e acumulou cerca de 600 mil curtidas.

Eduardo Bolsonaro também relembrou o episódio envolvendo a cerveja Bud Light, em 2023, quando a marca enfrentou boicote após uma ação publicitária semelhante. Na ocasião, grupos conservadores acusaram a empresa de promover pautas de esquerda, o que impactou negativamente as vendas e levou à substituição de executivos.




No X, antigo Twitter, Nikolas Ferreira também comentou o caso envolvendo a Havaianas. “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, escreveu o parlamentar.

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) igualmente entrou no debate ao publicar vídeos em suas redes sociais. Para ele, o trecho da propaganda funciona como uma metáfora com conotação política.

“A gente sabe o recado que a Havaianas quis deixar aqui, até porque o ano que vem é um ano eleitoral e o país tá extremamente polarizado. E quem ela contrata para poder fazer essa propaganda? Uma atriz que é declaradamente contra a direita, que faz várias entrevistas dizendo que é contra a direita, que subiu no trio elétrico agora para dizer que é contra anistia”, afirmou. O vídeo já soma 2,8 milhões de visualizações e mais de 200 mil curtidas.

O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, também se posicionou sobre o tema. Em postagem nas redes sociais, declarou que, neste verão, passaria a usar apenas chinelos da marca Ipanema, principal concorrente da Havaianas.




A repercussão também beneficiou a concorrente. Apoiadores da direita passaram a interagir de forma intensa nas publicações da Ipanema no Instagram.

A postagem mais recente da marca ultrapassou 614 mil curtidas, bem acima do padrão anterior, que variava entre 10 mil e 30 mil. Nos comentários, usuários afirmam que iniciarão 2026 “com o pé direito” usando Ipanema e incentivam a empresa a aproveitar a “oportunidade” comercial. (Foto: divulgação; Fonte: O Tempo)

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