O modo como os brasileiros consomem conteúdo audiovisual está passando por uma transformação significativa. Segundo dados divulgados pelo IBGE na última quinta-feira (24/07), o número de domicílios que optam por serviços de streaming continua crescendo, enquanto a adesão à TV por assinatura segue em queda.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2024 revelou que, embora 93,9% dos 80,1 milhões de lares particulares do país ainda mantenham pelo menos um aparelho de televisão, a forma de acessar conteúdo está cada vez mais digital.
O estudo mostra que 32,7 milhões de residências com TV já assinam plataformas de vídeo sob demanda — um acréscimo de 1,5 milhão em comparação com 2023. Isso representa 43,4% dos lares com televisão, contra 42,1% registrados no ano anterior.
A expansão é mais evidente nas regiões Sul (50,3%), Centro-Oeste (49,2%) e Sudeste (48,6%). Já o Nordeste, mesmo com uma taxa menor (30,1%), apresentou o maior crescimento proporcional no período, com 490 mil novos assinantes. O Norte fechou com 38,8% de adesão.
Outro dado que chama atenção é o crescimento de um novo grupo de consumidores: aqueles que assistem exclusivamente via internet. Em 2024, 8,2% dos domicílios com streaming não tinham acesso à TV aberta nem por assinatura — percentual que era de apenas 4,7% dois anos antes.
Enquanto isso, a televisão por assinatura tradicional aparece em apenas 24,3% das casas com TV — totalizando 18,3 milhões de lares, uma queda de quase 1% em relação a 2023. A redução é ainda mais expressiva quando comparada a 2016, quando 33,9% dos domicílios possuíam o serviço. O alto custo (31%) e a falta de interesse (58,4%) foram apontados como principais motivos para o abandono do modelo. Outros 9,1% afirmaram que preferem consumir vídeos pela internet.
As estatísticas do IBGE, no entanto, diferem dos dados da Anatel. Enquanto o instituto registra 18,3 milhões de domicílios com acesso à TV paga, a agência reguladora aponta apenas 7,9 milhões de assinantes em dezembro de 2024 — o equivalente a 10,5%. Essa divergência decorre do fato de que a pesquisa do IBGE considera também o uso de serviços não oficiais, como IPTV pirata e contas de streaming compartilhadas, que não entram nas métricas formais da Anatel.
Outro dado importante da pesquisa mostra que o uso da televisão para acesso à internet ultrapassou, pela primeira vez, a metade da população. Em 2024, 53,5% dos usuários utilizavam o aparelho para navegar online — número que era de apenas 11,3% em 2016. Ao mesmo tempo, o computador perdeu espaço: sua participação caiu de 63,2% para 33,4% no mesmo período.
O avanço das TVs smart e dispositivos conectados impulsiona essa mudança. Com 93,4% dos lares já equipados com televisores de tela fina, a televisão tradicional está sendo rapidamente substituída por um centro digital multifuncional dentro de casa. E o futuro do entretenimento no Brasil, ao que tudo indica, será cada vez mais sob demanda. (Foto: PixaBay; Fonte: Tecnoblog)
E mais:
Presidente da CBF e deputada do MDB são alvos de operação da PF

