Setor produtivo contesta proposta do governo que classifica tilápia e eucalipto como espécies invasoras

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Setores ligados ao agronegócio e à aquicultura acompanham com apreensão a reunião da Comissão Nacional de Biodiversidade, marcada para esta quarta (27) e quinta-feira (28). O encontro deve analisar uma atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras Presentes no Brasil, medida que tem gerado preocupação sobre possíveis efeitos econômicos e regulatórios.

Entre os segmentos mais afetados está a piscicultura, especialmente os produtores de tilápia, que temem prejuízos significativos caso a espécie seja incluída na lista. Além do peixe, também aparecem na discussão espécies como eucalipto, pinus e frutas amplamente cultivadas, como manga, goiaba e jaca.




Segundo representantes do setor produtivo, a classificação pode trazer interpretações negativas no mercado internacional e comprometer cadeias já consolidadas. Já o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirma que a inclusão das espécies não significa proibição ou restrição de uso.

Em nota técnica, a pasta argumenta que o objetivo da lista é exclusivamente “como referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle”.




Apesar disso, entidades do setor produtivo alertam para possíveis efeitos indiretos. De acordo com a Peixe BR, o reconhecimento oficial de risco ambiental poderia afetar exportações e abrir espaço para barreiras sanitárias e comerciais em mercados estratégicos.

A entidade estima perdas superiores a US$ 38 milhões por ano, além de uma possível queda de até 90% nas exportações de tilápia. O setor cita como referência o caso da carpa asiática, classificada como invasora pelos Estados Unidos em 2010, o que teria provocado forte retração nas vendas chinesas da espécie.

Atualmente, os Estados Unidos representam o principal destino da tilápia brasileira, respondendo por cerca de 85% das exportações, com movimentação estimada em US$ 35 milhões anuais.




O setor também alerta para um possível efeito cascata sobre outras cadeias da aquicultura, incluindo espécies nativas como tambaqui e pintado. A preocupação envolve aumento de auditorias internacionais, exigências sanitárias mais rígidas e impactos na imagem do produto brasileiro no exterior.

Outro ponto sensível seria a possível perda de certificações internacionais, como BAP, ASC e Global G.A.P., consideradas essenciais para acesso a mercados globais de pescados.

No setor florestal, a possível inclusão de pinus, eucalipto e acácia também gera reação. Representantes afirmam que a medida pode gerar insegurança jurídica e afetar investimentos de longo prazo em cadeias produtivas consolidadas.




Durante audiência na Câmara dos Deputados, lideranças do setor defenderam a necessidade de critérios técnicos mais amplos antes de qualquer decisão regulatória. O debate reuniu parlamentares, pesquisadores e entidades do agronegócio.

Pesquisadores também apontam que fatores ecológicos naturais limitam a expansão descontrolada de espécies florestais em determinadas regiões, segundo estudos apresentados pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. E mais: Grupo é resgatado com vida após uma semana preso em caverna no Laos. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Gazeta do Povo)

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