Famosa rede de supermercado cita incerteza sobre ‘continuidade operacional’

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O GPA (Grupo Pão de Açúcar) informou que vai intensificar a renegociação de dívidas financeiras e contratos, além de revisar despesas operacionais, como parte de um plano para ampliar a geração de caixa e tentar frear a sequência de prejuízos que ameaça a continuidade de suas operações no Brasil.

Em nota explicativa que acompanha as demonstrações financeiras do quarto trimestre de 2025, a companhia reconhece que, apesar da evolução de indicadores operacionais e da geração positiva recorrente de caixa, os resultados ainda não foram suficientes para interromper as perdas.

Segundo o próprio grupo, esse cenário configura “incerteza relevante” e pode levantar “dúvida significativa sobre a continuidade operacional”.

O GPA é atualmente o quinto maior grupo de supermercados do país. Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 20,6 bilhões, mantém cerca de 37 mil funcionários e opera 728 lojas, com fluxo mensal superior a 20 milhões de clientes.

Mesmo assim, encerrou o ano com déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,224 bilhão, reflexo principalmente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026, que somam cerca de R$ 1,7 bilhão.

À frente da companhia há dois meses, o CEO Alexandre Santoro atribuiu parte das dificuldades a passivos herdados de gestões anteriores.

Em teleconferência com analistas e jornalistas, ele citou contingências trabalhistas e fiscais que alcançam R$ 17 bilhões. O executivo também destacou o impacto do aumento da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, no custo das dívidas emitidas no mercado.

O grupo passou por mudanças recentes em sua estrutura acionária. Em agosto do ano passado, a família Coelho Diniz tornou-se a principal detentora das ações com direito a voto da companhia, após uma oferta que reduziu a participação do grupo francês Casino, controlador desde 2012. Antes disso, o GPA esteve ligado à família de Abílio Diniz.

O plano traçado pela atual gestão inclui maximização de receitas, redução de despesas, renegociação de dívidas e racionalização de investimentos. O orçamento de aportes para este ano foi reduzido pela metade, para R$ 350 milhões.

O GPA fechou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões, redução de 48,2% frente às perdas de R$ 1,104 bilhão registradas no mesmo período de 2024. E mais: Flávio Bolsonaro confirma primeiro indicado ao Senado por SP: ‘martelo batido’. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; EBC; Fonte: UOL)

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