As operações conjuntas da Polícia Federal e da Receita Federal trouxeram à tona a presença de organizações criminosas dentro do sistema financeiro, com destaque para a atuação em algumas fintechs. A subsecretária de fiscalização da Receita, Andrea Costa Chaves, explicou que, embora a Faria Lima concentre fundos regulares, também foram encontrados recursos desviados. “Dentro desse arcabouço, identificamos 40 fundos que sim, que são ligados e utilizados para blindagem patrimonial do crime organizado”, afirmou.
Claudio Ferrer, técnico da Receita, reforçou que o problema não é generalizado. “A Faria Lima efetivamente não tem problema com o crime organizado. O que houve foi uma contaminação pontual específica em algumas administradoras de recursos, que, com grau de sofisticação, utilizam o sistema financeiro para efetivamente lavar o dinheiro ou ocultar o produto do crime”, declarou.
A diferença no número de fundos bloqueados pelas autoridades também foi esclarecida. Enquanto a PF interditou 21 fundos, a Receita identificou 40, devido a decisões judiciais distintas. “São duas operações que trabalharam com lavagem de dinheiro e ocultação dentro do sistema financeiro, foram decisões judiciais diferentes também. Então você pode ter essa diferença entre alguns fundos de uma operação para alguns fundos da outra operação”, explicou Andrea.
Entre os principais investigados está Mohamad Hussein Mourad, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como “epicentro das operações” em um esquema bilionário de fraudes e lavagem no setor de combustíveis. Segundo as investigações, ele controla diversas etapas da cadeia produtiva, desde a aquisição de matéria-prima até a distribuição em postos de combustíveis.
Mourad foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (28/8), que apura movimentações suspeitas superiores a R$ 8,4 bilhões. Embora se apresente como proprietário da G8 Log, empresa de transportes, os investigadores afirmam que a companhia é de fachada e usada para “ocultar e blindar a frota de veículos e para a lavagem de capitais”.
Os caminhões associados à G8 Log, na prática, estão registrados por outras empresas, como a “Blue Star Locação de Equipamentos” e a “Locar Locadora Ltda”, esta última com participação de um primo de Mourad no quadro societário. Além disso, familiares do empresário também são sócios em postos de combustíveis, terminais de armazenamento e fundos imobiliários usados pelo grupo para movimentar recursos ilícitos.
Não é a primeira vez que Mourad entra na mira do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Em 2023, ele foi investigado na Operação Cassiopeia, que também envolveu a Copape e a Aster, empresas ligadas ao esquema. Antes disso, já havia sido citado na Operação Arina. (Foto: PF; Fontes: Poder360; Metrópoles)

