Chefe mercenário toma cidade do sul da Rússia; Pútin fala em “facada nas costas”

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O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu esmagar um motim armado depois que o exército privado do chefe mercenário Yevgeny Prigozhin assumiu o controle de uma cidade do sul como parte de uma tentativa de derrubar a liderança militar. Clique AQUI para ver mais sobre o motim iniciado ontem (23) à noite.

Na primeira insurreição armada da Rússia desde as guerras da Chechênia décadas atrás, combatentes fortemente armados da milícia Wagner de Prigozhin controlavam as ruas de Rostov-on-Don, uma cidade de mais de um milhão de habitantes perto da fronteira com a Ucrânia.

Prigozhin, cujo exército privado travou as batalhas mais sangrentas na Ucrânia, mesmo quando rivalizou por meses com o alto escalão, disse que capturou o quartel-general do Distrito Militar do Sul da Rússia depois de liderar suas forças da Ucrânia para a Rússia.

Em Rostov, que serve como o principal centro logístico de retaguarda para toda a força de invasão da Rússia, os moradores se aglomeraram, filmando em telefones celulares, enquanto os combatentes Wagner em veículos blindados e enormes tanques de batalha ocupavam posições no centro da cidade.

 

Um tanque estava preso entre prédios de estuque com cartazes anunciando o circo. Outro tinha “Sibéria” pintado com tinta vermelha na frente, uma clara declaração de intenção de varrer toda a Rússia.

Segundo a agência de notícias Reuters, os combatentes de Wagner também tomaram instalações militares na cidade de Voronezh, mais ao norte na estrada para Moscou, onde o governador disse que operações estavam em andamento para reprimir o motim. A Reuters não pôde confirmar de forma independente a situação lá.

 

Em Moscou, houve uma maior presença de segurança nas ruas. A Praça Vermelha foi bloqueada por barreiras de metal.
“Ambições excessivas e interesses escusos levaram à traição”, disse Putin em um discurso televisionado. “É um golpe para a Rússia, para o nosso povo. E nossas ações para defender a Pátria contra tal ameaça serão duras.”

“Todos aqueles que deliberadamente pisaram no caminho da traição, que prepararam uma insurreição armada, que seguiram o caminho da chantagem e métodos terroristas, sofrerão punição inevitável, responderão tanto à lei quanto ao nosso povo.”

Prigozhin respondeu rapidamente que ele e seus homens não tinham intenção de se entregar. “O presidente comete um erro profundo quando fala sobre traição. Somos patriotas de nossa pátria, lutamos e lutamos por isso”, disse Prigozh em uma mensagem divulgada pelo Telegram. “Não queremos que o país continue a viver na corrupção e na falsidade.”.

 

Em uma série de mensagens agitadas durante a noite, Prigozhin exigiu que o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o chefe do estado-maior, Valery Gerasimov, fossem vê-lo em Rostov.

Prigozhin, um ex-presidiário e aliado de longa data de Putin, lidera um exército privado que inclui milhares de ex-prisioneiros recrutados nas cadeias russas.

Seus homens enfrentaram os combates mais ferozes da guerra de 16 meses na Ucrânia, incluindo a batalha prolongada pela cidade oriental de Bakhmut.

Ele protestou durante meses contra os altos escalões do exército regular, acusando os generais de incompetência e de reter munição de seus combatentes. Neste mês, ele desafiou ordens para assinar um contrato que colocava suas tropas sob o comando do Ministério da Defesa.

Facada
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou a rebelião de membros do Grupo Wagner como “facada nas costas” e prometeu punir quem trair as Forças Armadas. Putin fez um pronunciamento à nação neste sábado (24).

Durante o pronunciamento, Vladimir Putin disse que a resposta à rebelião será dura e que todos os que tomaram parte no motim serão punidos. Segundo o presidente, todas as Forças Armadas da Rússia já receberam todas as ordens necessárias.

“É um golpe para a Rússia, para o nosso povo. E nossas ações para defender a Pátria contra tal ameaça serão duras.”
“Todos aqueles que deliberadamente pisaram no caminho da traição, que prepararam uma insurreição armada, que seguiram o caminho da chantagem e métodos terroristas, sofrerão punição inevitável, responderão tanto à lei quanto ao nosso povo”, disse o presidente.

 

Putin também fez um apelo às pessoas que foram “enganadas”, referindo-se aos mercenários do Grupo Wagner, ordenando que os membros da organização não continuassem participando de ações criminais.

Putin assumiu que a situação em Rostov-on-Don, cidade que foi tomada pelo Grupo Wagner, é complicada, mas afirmou que o governo irá tomar ações para estabilizar o problema. Ele também declarou que será necessário “unir forças”, deixando as diferenças de lado.

Mais cedo, o Comitê Antiterrorista da Rússia disse que está fazendo uma operação antiterrorista em Moscou e arredores. Leia abaixo, na íntegra, o discurso de Putin!

“Dirijo-me aos cidadãos da Rússia, ao pessoal das Forças Armadas, serviços de segurança e serviços especiais, aos combatentes e comandantes que agora lutam em suas posições de combate, repelem os ataques do inimigo, fazem isso heroicamente – sei disso, hoje, esta noite, falei mais uma vez com os comandantes de todas as direções. Dirijo-me também àqueles que foram arrastados por meio de engano ou ameaças para uma aventura criminosa, empurrados para o caminho de um crime grave – a rebelião armada.

Hoje a Rússia está conduzindo uma luta dificílima pelo seu futuro, repelindo a agressão dos neonazistas e seus patrões. Basicamente toda a máquina militar, econômica e informacional do Ocidente foi dirigida conta nós. Lutamos pela vida e segurança do nosso povo, pela nossa soberania e independência. Pelo direito de ser e permanecer a Rússia – um Estado com mil anos de história.

Esta batalha, quando o destino do povo está sendo decidido, requer a unidade de todas as forças, união, consolidação e responsabilidade. Quando tudo o que nos enfraquece deve ser posto de lado, qualquer briga que nossos inimigos externos possam usar para nos minar por dentro. E por isso, as ações que dividem nossa unidade são, de fato, apostasia de nosso povo, dos companheiros de armas que agora estão lutando na frente. Isto é uma facada nas costas do nosso país e do nosso povo.

Tal golpe foi desferido contra a Rússia em 1917, quando o país estava na Primeira Guerra Mundial. Mas a vitória foi lhe roubada. Intrigas, disputas, politicagem nas costas do Exército e do povo acabaram sendo o maior abalo, a destruição do Exército e a desintegração do Estado, a perda de enormes territórios. Finalmente – a tragédia da guerra civil.

Russos matavam russos, irmãos matavam irmãos, enquanto lucros interesseiros eram obtidos por vários tipos de aventureiros políticos e forças estrangeiras, que dividiam o país, rasgavam-no em pedaços. Não deixaremos que isso aconteça novamente. Protegeremos tanto nosso povo como nosso Estado de quaisquer ameaças. Inclusive – da traição interna.

Mas aquilo que enfrentamos é exatamente traição. Ambições excessivas e interesses pessoais levaram à traição. À traição ao seu país, ao seu povo e àquela causa pela qual os combatentes e comandantes do grupo Wagner lutaram e morreram lado a lado com as nossas outras unidades. Os heróis que libertaram Soledar e Artyomovsk, as cidades e os povoados de Donbass, lutaram e deram suas vidas pela Novorossiya, pela unidade do mundo russo. Seu nome e glória também foram traídos por aqueles que estão tentando organizar uma rebelião, empurrando o país para a anarquia e o fratricídio, rumo à derrota e, em última análise, à capitulação.

Repito, qualquer turbulência interna é uma ameaça mortal à nossa condição de Estado, a nós como nação. É um golpe para a Rússia, para o nosso povo, e nossas ações para proteger a Pátria de tal ameaça serão duras.

Todos aqueles que deliberadamente tomaram o caminho da traição, que prepararam uma insurreição armada, que tomaram o caminho da chantagem e dos métodos terroristas, sofrerão a punição inevitável, responderão tanto perante a lei quanto perante o nosso povo.

As Forças Armadas e outras agências governamentais receberam as ordens necessárias, medidas antiterroristas adicionais estão sendo introduzidas em Moscou, na região de Moscou, em várias outras regiões. Também serão tomadas ações resolutas para estabilizar a situação em Rostov-no-Don. Ela segue complexa, com o trabalho das autoridades civis e militares bloqueado de fato.

Como presidente da Rússia e comandante-em-chefe, como cidadão da Rússia, farei os possíveis para defender o país, para proteger a ordem constitucional, a vida, a segurança e a liberdade dos cidadãos. Aqueles que organizaram e prepararam o motim militar, que levantaram armas contra seus companheiros de armas, traíram a Rússia, e eles serão responsabilizados por isso.

Apelo ainda que aqueles que estão sendo arrastados para esse crime não cometam um erro fatal, trágico e irrepetível, que façam a única escolha certa, de parar de participar de ações criminosas. Acredito que preservaremos e defenderemos o que nos é caro e sagrado e, junto com nossa Pátria, superaremos todas as provações e nos tornaremos ainda mais fortes.”


Fontes: Reuters; G1; Sputnik
Foto: reprodução vídeo; Agência Tass

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