Defesa do fundador do Banco Master propõe devolver bilhões em parcelas ao longo de uma década, enquanto investigação avança sobre supostos repasses e influência política.
A proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do empresário Daniel Vorcaro começou a gerar desconforto no Supremo Tribunal Federal e na Procuradoria-Geral da República. Fundador do Banco Master, o ex-banqueiro ofereceu devolver R$ 40 bilhões aos cofres públicos, mas sugeriu que o pagamento seja feito de forma parcelada em até dez anos.
Nos bastidores do STF, integrantes da Corte avaliam que o prazo proposto é “muito elástico”, o que reduziria a efetividade da recuperação de recursos, considerada um dos principais objetivos dos acordos de delação premiada.
A estratégia conduzida pelo advogado José Luis de Oliveira Lima, o Juca, é interpretada como uma tentativa de ganhar tempo enquanto a defesa trabalha para contestar pontos da investigação. A expectativa é identificar possíveis falhas processuais ou nulidades que possam favorecer Vorcaro no decorrer do processo.
O conteúdo preliminar da colaboração já foi encaminhado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Apesar disso, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, ainda não recebeu oficialmente o material. Antes disso, PF e PGR precisam avaliar a relevância das informações apresentadas e decidir se o acordo merece avançar para homologação judicial.
A expectativa nos bastidores é que a análise mais aprofundada da delação aconteça entre junho e julho. O depoimento do empresário é tratado como potencialmente explosivo por envolver figuras ligadas aos Três Poderes.
Há ainda uma preocupação adicional dentro do meio político: o possível vazamento de trechos da delação em meio ao calendário eleitoral de 2026. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a divulgação de informações sensíveis poderia impactar diretamente o ambiente da disputa política.
Nesta quinta-feira (7), André Mendonça autorizou a quinta etapa da Operação Compliance Zero, que tem como um dos alvos o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro.
Na decisão, Mendonça afirmou que a ligação entre Vorcaro e o senador “extrapola a amizade”. Segundo o ministro, os elementos reunidos indicam “um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”.
As suspeitas surgiram a partir de documentos e celulares apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações. Parte das informações nem sequer integra a proposta de delação apresentada pela defesa do empresário.
O ministro também citou “pagamentos mensais da ordem de R$ 300 mil ou mais, além de outras transações atípicas” envolvendo Vorcaro e o senador. Em outro trecho da decisão, Mendonça afirma: “O montante teria evoluído para R$ 500 mil”.
As investigações ainda apontam para uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à PEC da autonomia do Banco Central, em agosto de 2024.
A proposta elevava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida que, segundo a Polícia Federal, beneficiaria diretamente o Banco Master. Os investigadores sustentam que o texto da emenda teria sido elaborado pelo próprio Daniel Vorcaro. E mais: A nova decisão de Moraes para o hacker Walter Delgatti. (Fonte: Poder360)

