Partido Verde da Inglaterra promete mudar tradição de 500 anos na monarquia britânica

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O Partido Verde da Inglaterra sinalizou que pretende defender a separação entre Igreja e Estado caso vença as próximas eleições gerais no Reino Unido, previstas para ocorrer até agosto de 2029.

A Igreja da Inglaterra é a igreja “oficial” desde a Reforma Protestante do século XVI, com o monarca britânico servindo como seu governante supremo. Essa ligação representa um elemento central da identidade nacional.

A proposta dos Verdes gerou reações contrárias, com críticos acusando o partido de tentar romper com séculos de tradição e reduzir a influência do cristianismo na vida pública britânica.

Parte das críticas classifica a iniciativa como mais um movimento de afastamento religioso no país.

O tema ganhou repercussão após a divulgação de um documento interno da sigla, citado pela Fox News, que afirma: “Nenhuma pessoa poderá ocupar um cargo no Estado, ou ser excluída de qualquer cargo, em virtude de sua filiação ou não filiação, ou da filiação de seu cônjuge, a qualquer religião ou denominação religiosa.”

Para Michael McManus, diretor de pesquisa da Henry Jackson Society, a mudança pode trazer consequências profundas. “A Grã-Bretanha é uma sociedade tolerante, mas com origens e cultura cristãs claras. A tentativa de desestabelecer a Igreja da Inglaterra poderia ser vista como uma tentativa de rejeitar esse fundamento ético sem deixar claro o que o substituiria.”

O debate também mobilizou figuras públicas, como o ator e comediante John Cleese, que comentou o tema na rede social X:

“O Reino Unido sempre se baseou, em sua essência, em valores cristãos, independentemente de dogmas. Apesar dos muitos erros cometidos pelas igrejas, o povo britânico foi influenciado pelos ensinamentos de Cristo durante séculos. Se esses valores forem substituídos por valores islâmicos, este não será mais o Reino Unido.”

Apesar das críticas, o Partido Verde tem ampliado sua presença no cenário político. Levantamento da YouGov indica que a legenda aparece em segundo lugar, atrás do Reform UK.

Outro estudo da mesma empresa aponta forte apoio entre eleitores jovens, especialmente na faixa de 18 a 24 anos, além de bom desempenho entre mulheres e outros grupos.

Em resposta às discussões, um porta-voz do partido afirmou: “Apresentaremos nossos planos detalhados de governo na época das próximas eleições gerais, assim como fizemos nas últimas. Como sempre, nossos membros definirão nossas prioridades. Elas abordarão, mais uma vez, as necessidades reais e imediatas das pessoas e do planeta, como o combate à crise climática, a redução do custo de vida e a reconstrução de nossos serviços públicos, incluindo o NHS (Serviço Nacional de Saúde). Nosso foco está nas questões que mais impactam as pessoas comuns.”

O tema ganha ainda mais relevância em meio a mudanças recentes no sistema político britânico, como a aprovação da House of Lords (Hereditary Peers) Act 2026, que eliminou a presença de aristocratas hereditários no Parlamento.

Com isso, cresce a pressão por reformas adicionais, incluindo a revisão da participação dos chamados “Lords Espirituais” — atualmente, 26 bispos e arcebispos da Igreja da Inglaterra têm assento na Câmara dos Lordes.

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