A Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que a economia brasileira cresça 2% em 2026, ano marcado pela eleição presidencial. A estimativa consta de relatório divulgado nesta quinta-feira (8).
Se confirmada, a taxa indicará desaceleração em relação a 2025, quando o PIB deve avançar 2,5%. O desempenho também ficará abaixo do registrado em 2024, ano em que o país cresceu 3,4%.
Na atualização das projeções, a ONU manteve a previsão para 2026, mas elevou a estimativa de crescimento de 2025 em 0,7 ponto percentual. Ainda assim, o ritmo econômico segue em trajetória de perda de fôlego.
Segundo a organização, o principal fator por trás da desaceleração é o impacto tardio da política monetária restritiva. “A desaceleração projetada reflete os efeitos defasados do aperto monetário, que elevou as taxas de juros a níveis mais altos em décadas e continua a pesar sobre o investimento”, afirma o relatório.
A ONU avalia, porém, que uma política fiscal “moderadamente expansionista” pode amenizar parte desse efeito. Mesmo assim, o ambiente segue desafiador.
O documento também menciona obstáculos externos. De acordo com a entidade, “ventos contrários adicionais surgiram das tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos, de até 50%, sobre uma ampla gama de importações brasileiras”.
Apesar disso, o impacto tende a ser limitado. Os Estados Unidos respondem por cerca de 12% das exportações do Brasil, além de o governo do presidente Donald Trump já ter recuado em tarifas aplicadas a diversos setores.
Para a ONU, a economia brasileira só deve ganhar mais tração no próximo governo. A previsão é de crescimento de 2,3% em 2027.
Em comparação regional, o Brasil deve crescer mais que a média da América Latina e do Caribe em 2025. A região avançou 2,4% no ano passado, segundo a organização.
Nos anos seguintes, porém, o país tende a perder ritmo relativo. A expansão brasileira deve ficar abaixo da média regional.
Na comparação com México e América Central, o Brasil apresenta desempenho superior em 2025, 2026 e 2027. Ainda assim, essa vantagem deve se perder justamente em 2027.
O relatório reforça preocupações com a situação fiscal do país. A dívida bruta do governo geral superou 90% do PIB em 2025, alcançando 91,4%, ante 87,3% no ano anterior.
O nível é significativamente superior à média dos países em desenvolvimento. Nesse grupo, a relação dívida/PIB subiu de 73% para 76,9% no mesmo período.
Segundo a ONU, a credibilidade fiscal segue sob pressão. “Desvios recentes do arcabouço fiscal — em meio a isenções fiscais temporárias, despesas acima do planejado e o uso de linhas de crédito extraordinárias — ressaltam os desafios contínuos em reforçar a credibilidade fiscal”, aponta o documento.
No campo da inflação, a avaliação também é negativa no curto prazo. A organização estima que o IPCA tenha encerrado 2025 em 5%, acima da meta contínua de 3%.
O objetivo do Banco Central admite margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Mesmo assim, a projeção da ONU indica descumprimento da meta.
“No Brasil, a inflação geral permanece teimosamente acima da meta do banco central, apesar das taxas de juros estarem em níveis mais altos em várias décadas”, diz o relatório.
A estimativa da ONU supera o consenso do mercado. Economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast apontam inflação mediana de 4,27% em 2025. (continua)
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Para os próximos anos, porém, a organização prevê convergência gradual. O IPCA deve desacelerar para 4,3% em 2026 e 4% em 2027.
Na política monetária, o Brasil foi classificado como uma “exceção importante” em 2025. Enquanto outros países emergentes reduziram juros, o Brasil manteve postura rígida.
“Após um aperto substancial na primeira metade de 2025, o Banco Central do Brasil manteve sua taxa de política em 15% — a mais alta desde 2006 — com um ciclo de afrouxamento esperado para começar em 2026”, afirma a ONU.
Apesar dos alertas, o relatório destaca pontos positivos no mercado de trabalho. O Brasil reduziu o desemprego e elevou o salário mínimo em 2025. “O Brasil atingiu o menor índice de desemprego em décadas”, ressalta a organização. A taxa estava em 5,2% em novembro de 2025. E mais: Carlos leva presente a Bolsonaro e desabafa: ‘está cada dia pior’. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: CNN)

