Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade provisória a Alexsandra Aparecida da Silva, detida por envolvimento nos atos golpistas de 2023.
No entanto, a mulher continua presa porque o alvará de soltura foi enviado ao presídio errado, segundo informou sua defesa.
De acordo com os advogados, Alexsandra está recolhida na Penitenciária de Três Corações (MG), mas o documento de soltura foi remetido à unidade prisional de Varginha (MG). A defesa solicita a expedição de um novo alvará direcionado ao local correto, para que a decisão do ministro seja efetivada.
De acordo com o irmão de Alexsandra, Mayk Luis Melo Silva, a família se deslocou para Três Corações na noite de quarta, mas precisou voltar para casa após descobrir que ela não seria liberada naquela noite.
Mayk foi até a penitenciária com o pai e a irmã de Alexsandra, e se deslocaram cerca de 100 km a partir da cidade onde vive a família, Fama, às margens do Lago de Furnas.
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“A família toda estava ansiosa. Fizeram até bolo ontem (quarta) com bexiga para ela. Chegamos lá de noite, e fomos informados que a determinação pela soltura dela não tinha caído no sistema. Meu pai ficou muito ansioso, muito abalado. Esperamos um pouco e precisamos voltar para casa, e hoje (quinta) ela continua presa. Perdi minha mãe aos 9 anos. Foi a Alexsandra que cuidou de mim”, comentou.
Presente na prisão preventiva desde julho deste ano, Alexsandra obteve o benefício após Moraes entender que não há mais fundamentos para mantê-la detida, já que a fase de instrução processual foi concluída e o caso está pronto para julgamento.
Os advogados também haviam pedido a revogação da prisão alegando problemas de saúde, como depressão, ansiedade e crises de pânico, além de investigação sobre possíveis nódulos nos seios. A defesa destacou ainda que a ré tem residência fixa, é primária, atua como conselheira tutelar e cuida de animais em situação de rua.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favorável à liberdade provisória, mas observou que os documentos apresentados não incluíam diagnósticos médicos formais.
Ao liberar a ré, Moraes impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, a obrigação de comparecimento semanal à Vara Única da Comarca de Paraguaçu (MG) e a proibição de deixar o país.
Segundo a defesa, Alexsandra participou apenas dos acampamentos em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, mas não esteve envolvida nos atos de 8 de janeiro de 2023. (Foto: STF; Fonte: UOL; O Globo)
