Moraes volta a se manifestar após voto divergente de Fux

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Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira (11) que os atos de 8 de janeiro de 2023 não representaram um “domingo no parque”.

A manifestação foi feita durante um aparte ao voto da ministra Cármen Lúcia no julgamento da ação penal da trama golpista, que tem como réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados.

O gesto foi compreendido como uma resposta a Luiz Fux, que rebateu, ponto a ponto, as acusações feitas pelo relator, Alexandre de Moraes. No entendimento do ministro, não é possível dissociar os atos de Bolsonaro dos demais réus.

“Não foi um domingo no parque, não foi um passeio na Disney. Foi uma tentativa de golpe de Estado. Não foi combustão espontânea. Não eram baderneiros descoordenados, que, ao som do flautista, todos fizeram fila e destruíram as sedes dos Três Poderes”, afirmou.

O ministro também voltou a defender que o ex-presidente atuou como líder da organização golpista. Durante sua fala, Moraes exibiu um vídeo de um discurso de Bolsonaro contra o STF.

“Quem sempre foi, além de líder, um ponta de lança desse discurso populista, que caracteriza as novas ditaduras no mundo todo, foi Jair Messias Bolsonaro, para desacreditar o Poder Judiciário”, completou.

As declarações de Moraes contrastam com o voto do ministro Luiz Fux. Na sessão de ontem (10), o ministro abriu divergência e absolveu Bolsonaro e mais cinco acusados. No entanto, o ministro votou pela condenação de Mauro Cid e do general Braga Netto pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito.

Fux disse que Bolsonaro apenas cogitou medidas e “não aconteceu nada”. No entendimento dele, a cogitação não é suficiente para punir o ex-presidente.

Sobre as acusações de responsabilidade pelos atos golpistas, Fux classificou como “ilação” da Procuradoria-Geral da República (PGR) a suposta ligação de Bolsonaro com os golpistas que depredaram a sede do Supremo, o Congresso e o Palácio do Planalto.

 

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