A Receita Federal iniciou um amplo rastreamento em seus sistemas internos para apurar se houve violação de sigilo fiscal e bancário de cerca de 100 pessoas, entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares diretos. A iniciativa foi solicitada por Alexandre de Moraes, conforme reportagem da Folha de SP.
A relação inclui pais, filhos, irmãos e cônjuges dos dez integrantes da Corte. Para concluir a apuração, auditores do Fisco federal devem realizar aproximadamente 8 mil procedimentos técnicos voltados à identificação de eventuais acessos indevidos a informações protegidas por sigilo.
O trabalho envolve a análise de dados armazenados em cerca de 80 sistemas distintos. À medida que os relatórios são finalizados, eles estão sendo encaminhados diretamente ao gabinete de Moraes. A apuração se insere no contexto da crise institucional entre Poderes e órgãos de controle, desencadeada após a quebra e posterior liquidação do Banco Master.
As investigações sobre o banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, levantaram suspeitas de vazamento de informações cobertas por sigilo fiscal e bancário.
No Supremo, há ministros que desconfiam de apurações conduzidas pela Polícia Federal sem respaldo legal. Já investigadores da PF avaliam que decisões tomadas pelo ministro Dias Toffoli, então relator do caso, teriam dificultado o avanço das investigações. A PF, por ora, não participa dessa busca específica por eventuais vazamentos.
O pedido de Moraes foi apresentado há cerca de três semanas, no âmbito do inquérito das Fake News, instaurado em 2019. Na solicitação, não foram indicados nomes individualmente, mas incluídos todos os magistrados da Corte e seus respectivos familiares, com checagem a cargo da Receita e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que ministros do STF avaliam abrir uma investigação interna para apurar eventuais irregularidades cometidas por integrantes da PF e da Receita.
Como ambos os órgãos estão sob comando de nomes alinhados ao governo federal, magistrados passaram a associar a responsabilidade ao Palácio do Planalto. Moraes solicitou as informações em janeiro, após a divulgação de dados que apontavam vínculos entre familiares dele e de Toffoli com o Banco Master. (Foto: STF; Fonte: Folha de SP)

