Lula está ‘estarrecido’ com nº de mortos em megaoperação contra o tráfico

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mostrou “estarrecido” com o número de mortos na operação policial realizada na terça-feira (28) nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e também se surpreendeu com a ausência de comunicação prévia com o governo federal, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

De acordo com Lewandowski, ele e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, devem viajar ao Rio para se reunir com autoridades estaduais e ‘avaliar’ a situação, oferecendo ‘suporte’ do governo federal.

O Rio amanheceu com dezenas de corpos alinhados em uma rua próxima a áreas de mata, onde houve intensos tiroteios na madrugada seguinte à megaoperação, que deixou 119 mortos, entre eles quatro policiais, conforme a Polícia Civil do Estado.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), declarou que o Estado “não vai ficar chorando por ajuda do governo federal no combate ao crime”. (…)


Finanças e Economia




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(…) Em coletiva no Palácio Guanabara, um dia após a operação contra integrantes do Comando Vermelho, Castro afirmou: “Todo aquele que quiser vir para cá no intuito de somar, seja governador, seja ministro ou qualquer outra autoridade, é bem-vindo. Quem quiser somar com o Rio de Janeiro nesse momento no combate à criminalidade é bem-vindo. Os outros que querem fazer confusão, que querem fazer politicagem, a nosso único recado é: suma. Ou soma ou suma.”

Na terça-feira, o governador disse que o Estado enfrenta o crime organizado “sozinho”, apontando falta de apoio das forças federais.

O Ministério da Justiça rebateu a declaração, alegando que todas as solicitações para atuação da Força Nacional foram atendidas. Castro afirmou que não solicitou ajuda da União desta vez porque já havia recebido três negativas em pedidos anteriores.




“Nós já entendemos que a política é de não ceder. Falam que tem que ter GLO (Garantia da Lei da Ordem), que tem que ter isso, que tem que ter aquilo, podiam emprestar o blindado e depois não podiam mais porque o servidor que opera o blindado é federal. O presidente já falou que ele é contra GLO. A gente entendeu que a realidade é essa e a gente não vai ficar chorando pelos cantos”, declarou o governador.

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Sobre a logística das operações, Castro ressaltou que os blindados da Marinha seriam úteis por “têm capacidade de passar por cima das barricadas”, mas reforçou que não houve “declarações reclamando chorando”. “Se dá para ajudar, ajuda. Se não dá, a gente vai tocar a vida”, disse.

O governador afirmou ainda que manteve contato com integrantes do governo federal, incluindo o ministro Rui Costa (Casa Civil), e que aguarda definições sobre apoio adicional.




“Pelo que eu sei, eles estão reunidos agora para entender as estratégias deles e eu estou esperando algum contato que finalize a ideia deles de virem ao Rio de Janeiro ainda no dia de hoje. Não sei quem viria e nem que horas que essa pessoa viria”, declarou.

Além disso, Castro solicitou à União dez vagas em presídios federais de segurança máxima para transferir presos de alta periculosidade que lideram organizações criminosas no Estado.

“Acreditando que política de segurança pública se faz com diálogo e integração, pedi ao governo federal, então, imediatamente, dez vagas para transferência desses criminosos de alta periculosidade, mostrando que integração e diálogo é a nossa forma de fazer segurança pública”, afirmou.




A megaoperação resultou em mais de 100 mortes, 81 prisões e a apreensão de 93 fuzis. Ainda existem corpos não contabilizados oficialmente, o que pode elevar o número.

Na terça-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, informou a Castro sobre a disponibilidade de vagas em presídios federais e propôs reunião de emergência nesta quarta-feira no Rio, com a participação dele e de Ricardo Lewandowski, que cumpre agenda no Ceará.

A previsão pela manhã era que Castro se reunisse no Palácio Guanabara com a cúpula da Segurança Pública estadual para avaliar os resultados da Operação Contenção e depois conversar por vídeo com governadores de outros estados.

O governo federal negou três pedidos de uso de blindados militares na segurança do Rio, alegando falta de decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento necessário para a atuação das Forças Armadas, que não foi solicitado pelo governador. Desde 2023, segundo o Ministério da Justiça, todas as 11 solicitações de presença da Força Nacional no Estado foram atendidas.

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