Reféns israelenses podem ser libertados já no sábado, segundo um plano dos EUA para encerrar a guerra em Gaza , e os militares do país concluirão a primeira parte de uma retirada parcial do enclave dentro de 24 horas após o acordo ser fechado, disse uma fonte informada sobre os detalhes do acordo. Assista mais ao fim da reportagem.
A assinatura do acordo está prevista para ocorrer ao meio-dia, horário de Israel, na quinta-feira, disse a Reuters, segundo fontes.
O gabinete de segurança e o governo de Israel devem realizar reuniões sobre o acordo às 17h, horário de Israel
Israelenses e palestinos comemoraram depois que Trump anunciou que um cessar-fogo e um acordo de reféns foram alcançados na primeira fase de seu plano para acabar com a guerra em Gaza que matou mais de 67.000 pessoas e remodelou o Oriente Médio.
No entanto, os ataques israelenses em três subúrbios da Cidade de Gaza continuaram durante a noite e na manhã de quinta-feira, segundo moradores.
Linhas de fumaça se ergueram sobre Shejaia, Tuffah e Zeitoun na madrugada de quinta-feira, segundo testemunhas, mas não houve relatos de vítimas.
Apenas um dia após o segundo aniversário do ataque transfronteiriço dos militantes do Hamas, que desencadeou o devastador ataque de Israel a Gaza, negociações indiretas no Egito resultaram em um acordo sobre o estágio inicial da estrutura de 20 pontos de Trump para trazer paz ao enclave palestino.
O acordo, se totalmente implementado, deixaria os dois lados mais próximos do que qualquer esforço anterior para interromper uma guerra que evoluiu para um conflito regional, envolvendo países como Irã, Iêmen e Líbano.
“Graças a Deus pelo cessar-fogo, o fim do derramamento de sangue e da matança”, disse à Reuters Abdul Majeed Abd Rabbo, um homem da cidade de Khan Younis, no sul de Gaza.
“Eu não sou o único feliz, toda a Faixa de Gaza está feliz, todo o povo árabe, todo o mundo está feliz com o cessar-fogo e o fim do derramamento de sangue.”
“Estou muito orgulhoso de anunciar que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do nosso Plano de Paz”, disse Trump no Truth Social.
“Isso significa que TODOS os reféns serão libertados muito em breve, e Israel retirará suas tropas para uma linha acordada como os primeiros passos em direção a uma paz forte, duradoura e eterna”, acrescentou Trump.
A conclusão bem-sucedida do acordo representaria uma conquista significativa na política externa do presidente republicano, que fez campanha para trazer paz aos principais conflitos mundiais, mas teve dificuldades para cumprir rapidamente, tanto em Gaza quanto na invasão da Ucrânia pela Rússia.
“Com a aprovação da primeira fase do plano, TODOS os nossos reféns serão trazidos de volta para casa”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado. “Este é um sucesso diplomático e uma vitória nacional e moral para o Estado de Israel.”
O Hamas confirmou que chegou a um acordo para encerrar a guerra, dizendo que o combinado inclui a retirada israelense do local e uma troca de reféns por cerca de 2 mil prisioneiros, alguns já condenados por Israel à prisão perpétua.
“Afirmamos que os sacrifícios do nosso povo não serão em vão e que permaneceremos fiéis à nossa promessa: nunca abandonar os direitos nacionais do nosso povo até que a liberdade, a independência e a autodeterminação sejam alcançadas”, disse o Hamas.
Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram levadas como reféns para Gaza, de acordo com autoridades israelenses, e acredita-se que 20 dos 48 reféns ainda mantidos estejam vivos.
Apesar das esperanças levantadas para o fim da guerra, detalhes cruciais ainda precisam ser esclarecidos, incluindo o momento, uma administração pós-guerra para a Faixa de Gaza e o destino do Hamas.
A Reuters aponta uma fonte do Hamas que disse que os reféns vivos seriam entregues dentro de 72 horas após a aprovação do acordo pelo governo israelense.
Autoridades do Hamas insistem que levará mais tempo para recuperar os corpos dos reféns mortos, que se acredita serem cerca de 28, dos escombros de Gaza.
Trump disse ao programa “Hannity” da Fox News na quarta-feira que os reféns provavelmente serão libertados na segunda-feira.
Netanyahu e Trump conversaram por telefone e se parabenizaram por uma “conquista histórica”, e o primeiro-ministro israelense convidou o presidente dos EUA para discursar no parlamento israelense, de acordo com o gabinete de Netanyahu.
O Hamas disse mais cedo na quarta-feira que havia entregue suas listas de reféns e de prisioneiros palestinos mantidos por Israel que queria que fossem trocados.
O grupo islâmico se recusou até agora a discutir a exigência de Israel de entregar armas, o que a fonte palestina disse à agência de notícias internacional que o Hamas rejeitaria enquanto as tropas israelenses ocupassem terras palestinas.
Os preços do petróleo caíram à medida que as perspectivas de um cessar-fogo diminuíram uma possível interrupção no fornecimento mundial.
A próxima fase do plano de Trump prevê que um organismo internacional liderado por ele e que inclua o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair desempenhe um papel na administração pós-guerra de Gaza.
Os países árabes que apoiam o plano dizem que ele deve levar à eventual independência do Estado palestino, o que Netanyahu diz que nunca acontecerá.

