As diversas barreiras tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil podem resultar em perdas anuais superiores a US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 16,6 bilhões) nas exportações brasileiras, segundo estudo da consultoria BMJ encomendado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgado pela Folha de SP. O presidente Donald Trump disse, no início, que as tarifas eram uma resposta ás violações de direito de Alexandre de Moraes.
O levantamento indica que os produtos industrializados são os mais afetados, respondendo por 27,3% do impacto total.
“O que surpreende é o impacto que [o tarifaço] pode ter para as exportações industriais. Há uma visão de que se resolveu muita coisa, mas não. Na verdade, você pode perder US$ 3 bilhões em exportação em um ano, o que vai aumentar o déficit [comercial] com os Estados Unidos,” afirmou Welber Barral, sócio fundador da BMJ. (continua)
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O estudo, concluído na última sexta-feira (21), calcula que o prejuízo trimestral consolidado, entre agosto e outubro, atingiu US$ 767,85 milhões (cerca de R$ 4,1 bilhões), período em que tarifas mais severas estavam em vigor.
O valor de US$ 3 bilhões por ano reflete o impacto do atual “tarifaço” americano, incluindo a tarifa adicional de 40% sobre produtos como aço, alumínio, cobre e madeira, além do risco de novas tarifas vinculadas à Seção 301, relacionadas a desmatamento, propriedade intelectual e sistemas de pagamento, como o Pix.
De acordo com a consultoria, a perda mensal das exportações brasileiras atinge US$ 255,95 milhões (R$ 1,4 bilhão), ante US$ 174,88 milhões (R$ 945 milhões) apenas pelo efeito da tarifa de 40%.
Houve, porém, um alívio parcial em 20 de novembro, quando o presidente americano Donald Trump anunciou expansão de exceções, beneficiando cerca de 13 grupos de produtos.
Entre os itens liberados da tarifa de 40% estão café não torrado, carnes bovinas, frutas, minério de ferro e petróleo bruto — cerca de 26% do valor que estava sob a tarifa adicional.
Mesmo assim, 74% das exportações brasileiras para os EUA permanecem sob regime tarifário agravado, afetando principalmente setores de alto valor agregado e bens de capital.
Em termos de comparação, ao longo de 2024, os três principais setores hoje tarifados — aço semimanufaturado, café e ferro fundido — somaram mais de US$ 5,6 bilhões (R$ 30,26 bilhões) em exportações. Esses segmentos seriam os que concentram a maior parte da perda potencial projetada para este ano, segundo o estudo. E mais: Lula sinaliza investimento do BNDES em países da África. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Folha de SP)

