Parlamentares aliados ao governo petista avaliam que a rejeição do Senado à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) abriu espaço para uma postura ‘mais firme’ do Executivo em relação ao Congresso, incluindo a possibilidade de disputas indiretas com apoio de mobilização da opinião pública.
Nos bastidores, a leitura entre governistas é de que o episódio foi interpretado como um distanciamento político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o que alteraria o nível de tolerância a novos embates institucionais.
Dentro dessa avaliação, integrantes da base acreditam que a retomada de propostas que envolvem a redução de penas aplicadas a envolvidos nos atos recentes pode provocar forte reação nas redes sociais. A percepção é de que o tema tende a gerar desgaste ao Legislativo, especialmente fora do ambiente formal do Parlamento.
Como exemplo de impacto digital, deputados lembram a repercussão registrada em 2025 durante a tramitação da chamada PEC da Blindagem, quando ganharam força nas redes mensagens com críticas ao Congresso.
A proposta — que previa ampliar proteções parlamentares e restringir a atuação do STF em determinados casos — acabou sendo barrada no Senado.
No campo da articulação política, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que tentativas de questionamento apresentadas durante a sessão não foram acolhidas pela presidência do Congresso.
Ele sustenta que há risco de conflito com decisões anteriores do Supremo, o que, na visão da bancada, abre caminho para a judicialização.
Essa avaliação também é compartilhada por outros parlamentares da base. O vice-líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), defende que o tema pode ser levado ao STF sob o argumento de que a proposta não pode ser usada com “desvio de finalidade” nem interferir na definição judicial de penas. Para ele, há ainda questionamentos sobre possível afronta à separação entre os Poderes.
Outros partidos alinhados ao Planalto seguem a mesma linha e estudam acionar a Corte, numa estratégia de reversão da derrota sofrida no Congresso por meio do Judiciário.
Ao mesmo tempo, deputados governistas avaliam que qualquer confronto mais direto com a cúpula do Legislativo precisa ser cuidadosamente calibrado pelo Palácio do Planalto. A avaliação interna é de que é necessário definir uma estratégia clara antes de ampliar o embate político.
No Congresso, também há a leitura de que a presidência da Casa possui instrumentos de pressão relevantes, como a possibilidade de pautar projetos de alto impacto fiscal — as chamadas “pautas-bomba” — ou de travar iniciativas do Executivo.
Entre os exemplos citados está a proposta sobre a jornada 6×1, que avança na Câmara, mas ainda depende de articulação no Senado, sob comando de Alcolumbre. E mais: Assessor de Janones invade transmissão da Globo, fala palavrão e é levado à polícia. Clique AQUI para ver. (Foto: Ag. Câmara; Fonte: Metrópoles)

