O grupo Gemfields anunciou na segunda-feira (12) a venda da Fabergé Ltd, famosa criadora dos ovos de joias, para a SMG Capital, em uma transação avaliada em US$ 50 milhões. A operação faz parte do plano da mineradora de pedras preciosas para simplificar sua estrutura e concentrar esforços no setor de mineração.
A alienação encerra um processo de revisão iniciado no fim de 2023. A Gemfields havia adquirido a joalheria em 2012 com o objetivo de fortalecer o comércio de gemas e aproveitar o prestígio da marca para promover suas peças.
Fundada em 1842 por Gustav Fabergé, a casa é reconhecida pelos 50 ovos cravejados de joias produzidos entre 1885 e 1916 para a família imperial russa. O negócio foi interrompido pela Revolução Russa, quando os bolcheviques tomaram os ateliês e encerraram a produção. A marca só retornou ao mercado em 2009, lançando sua primeira coleção desde 1917.
Segundo a Gemfields, o valor obtido com a venda será destinado ao fortalecimento das operações de mineração em Moçambique e na Zâmbia.
Gemfields Group Ltd é uma empresa britânica de mineração especializada em pedras preciosas coloridas. Constituída em Guernsey e com sede administrativa em Londres, no Reino Unido, a companhia é reconhecida como uma das principais fornecedoras globais de gemas como esmeraldas e rubis.
O grupo atua na mineração, processamento e comercialização de pedras preciosas em estado bruto, sem realizar internamente etapas de lapidação ou polimento.
Entre seus principais ativos estão a mina de esmeraldas Kagem, localizada na Zâmbia – considerada a maior mina de esmeraldas do mundo – e a mina de rubis Montepuez, em Moçambique, uma das mais ricas fontes do mineral a nível mundial. A Gemfields é responsável por cerca de 25% do fornecimento global de esmeraldas e aproximadamente 50% da produção mundial de rubis.
Além das operações de mineração, o grupo também é proprietário e operador da marca de luxo Fabergé, um dos nomes mais icônicos da joalheria mundial.
Já a Casa Fabergé foi fundada em 1842, em São Petersburgo, Rússia, por Gustav Fabergé. Sob a gestão de seus filhos Peter Carl e Agathon, e posteriormente de seus netos, a joalheria alcançou prestígio internacional, tornando-se fornecedora oficial da corte imperial russa.
A marca ganhou fama pela criação dos célebres Ovos Fabergé, peças elaboradas e incrustadas de joias, encomendadas por imperadores russos, além de outras obras de alta complexidade e refinamento artístico.
Com a revolução soviética, a família Fabergé deixou a Rússia. Em 1924, Alexander e Eugène Fabergé, filhos de Peter Carl, fundaram a Fabergé & Cie em Paris, França, retomando a produção de joias e incorporando o nome da cidade ao selo de suas peças: FABERGÉ, PARIS.
Em 1951, os direitos da marca para a comercialização de perfumes foram adquiridos por Samuel Rubin, que, anos depois, em 1964, vendeu a Fabergé Inc. para a empresa de cosméticos Rayette Inc., posteriormente renomeada Rayette-Fabergé Inc..
Ao longo das décadas seguintes, a marca passou por diversas aquisições e licenciamentos, expandindo-se para outros segmentos como fragrâncias, produtos para cabelos, moda e até cinema. Entre os lançamentos de maior sucesso comercial da época estiveram a colônia Brut – que se tornou líder de vendas – e o perfume Babe.
Com o tempo, as joias voltaram a integrar o portfólio da marca, embora o mercado também tenha sido inundado por peças de imitação conhecidas como “Fauxbergé” ou produtos “no estilo Fabergé”. (Foto: PixaBay; Fonte: IsotÉ Dinheiro)
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