Exportadores alertam para ‘perda irreversível’ do café brasileiro nos EUA

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A permanência da tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos (EUA) sobre a importação de certos produtos cafeeiros brasileiros está intensificando a perda de competitividade do café do Brasil no mercado global.

O cenário, na avaliação de Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Cafés do Brasil (Cecafé), sinaliza um risco de afastamento “total e possivelmente irreversível” do produto nacional dos blends consumidos pelos consumidores norte-americanos.

Segundo Matos, a alteração no perfil dos blends de café nos EUA já é uma realidade perceptível e ganhou significativo impulso nos meses mais recentes.




“Dadas as retrações que a gente viu nas vendas do Brasil para os EUA, ela [mudança de blend] já ocorreu. O consumo não caiu por lá e nós vamos, de fato, desaparecer, porque vai ficar muito pontual a exportação,” alertou.

Ao ‘Agro Estadão’, o executivo explicou que essa situação tende a se agravar porque os principais países concorrentes do Brasil — incluindo Colômbia, Honduras, Vietnã, Costa Rica, Tunísia e várias nações africanas — foram beneficiados com a isenção total de tarifas após uma ordem executiva emitida pelo governo Trump na semana anterior.

A diminuição da presença do café brasileiro nas marcas e torrefadoras dos EUA é vista com profunda preocupação, pois a questão transcende o preço imediato, afetando as relações comerciais de longo prazo.




“O nosso importador está estabelecendo relações comerciais com os nossos concorrentes. E a relação comercial nunca é de curto prazo. São estabelecidos compromissos para o futuro. Além disso, o consumidor passou a se adaptar a essas novas qualidades,” destacou Matos, evidenciando o risco de o Brasil perder espaço de forma estrutural.

Como resultado direto das tarifas, o volume de sacas de café exportadas para os EUA apresentou uma queda acentuada nos últimos três meses:

Agosto (mês de vigência da tarifa): queda de 46%.

Setembro: recuo de 52,8%.

Outubro: redução atingiu 54,4%.

Os dados são compilados pelo Cecafé. “Os Estados Unidos retraíram bastante nesses últimos três meses e isso vai aprofundar essa queda ao longo do ano. A gente está trabalhando sempre com a realocação, vendo para vários outros países, mas, obviamente, o prejuízo com os EUA é incalculável,” ponderou Matos. Ele sublinhou a urgência de aprofundar e agilizar as negociações com o governo norte-americano.




Recentemente, a Colômbia aumentou suas aquisições de café brasileiro, um movimento que, embora não seja inédito, despertou especulações no mercado sobre uma possível triangulação do produto (o café brasileiro seria reexportado pela Colômbia para os EUA, burlando a tarifa). E mais: Globo é condenada na Justiça a indenizar Gustavo Gayer (PL); saiba motivo. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: Agro Estadão)

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