O ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, assassinado na última segunda-feira (15) em Praia Grande, no litoral paulista, estava sem o carro blindado que costumava usar.
Segundo informações apuradas pelo g1, ele dirigia o automóvel de sua esposa porque o seu próprio veículo estava na oficina passando pelo processo de blindagem.
A blindagem automotiva é um procedimento que reforça a estrutura do carro para resistir a disparos e explosões. Esse tipo de serviço só pode ser realizado com autorização do Exército e pode demorar de um a dois meses para ser concluído.
Fontes foi um dos principais nomes nas investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), tendo conduzido prisões de chefes da facção e levantado detalhes de sua estrutura.
Apesar de seu histórico, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que ele não havia solicitado escolta – recurso disponível para ex-delegados-gerais que fizerem a requisição.
A Prefeitura de Praia Grande declarou, em nota, que durante sua atuação como secretário de Administração, Fontes se dedicava apenas às funções administrativas. “Sem relatar preocupações relacionadas à sua segurança pessoal ou mencionar fatos de sua atividade anterior como delegado-geral”, afirmou a administração municipal.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse em entrevista nesta terça-feira (16) que o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado em emboscada na Praia Grande, não havia pedido proteção policial.
“Ele não pediu proteção formal nem informalmente. A gente tem algumas autoridades com proteção. Se a gente tivesse algum pedido de proteção a gente teria dado”, afirmou o governador.
Sobre questionamento de proteção automática, Tarcísio afirmou que o governo do estado pretende alterar as regras.
“Não existe hoje na nossa legislação. Autoridades se dedicam ao combate do crime organizado. Mas a memória do crime organizado fica. É o caso de um promotor de Justiça que combateu o crime organizado e, na aposentadoria, é justo que o Estado mantenha a proteção, a escolta policial. Temos que pensar na proteção dessas pessoas e suas famílias”, acrescentou o governador.
Segundo ele, autoridades que pedem quando são ameaçadas, o governo destina a proteção. “Todos que têm nos procurado, a gente procura atender”, disse.
“No caso do dr. Ruy, nos não tínhamos nenhum pedido formal, nenhum tipo de sinal. Se houvesse, não nos furtaríamos.”
O prefeito Alberto Mourão (MDB), em entrevista na terça-feira (16), destacou que o secretário costumava andar armado e tinha um carro blindado em São Paulo. Entretanto, a reportagem confirmou que outro automóvel de sua propriedade estava em processo de blindagem no momento do crime.
De acordo com o Exército, após a conclusão da blindagem, o dono do veículo deve solicitar a atualização no registro junto ao Detran, apresentando a Declaração de Blindagem e o Certificado de Segurança Veicular. Durante o procedimento, o carro é completamente desmontado: primeiro são reforçadas áreas opacas, como colunas e portas, e depois os vidros são substituídos por versões capazes de suportar disparos de armas de fogo. (Foto: divulgação; Fontes: G1; R7)

